Acrescentar à letra cor, partilhar da alma o etéreo, mostrar da mão os calos, caminhar, ao lado, em silêncio.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Juramentos. E o tempo passa...
Nunca te disse, sonhei
Nunca beijei os teus lábios
Se não sorri, não chorei
Se não falei, foi pecado
Se eram doces ou salgados,
Ousara e pudera ser amado
Se o disse, já vai longe
O tempo dos doces sonhos
Não esqueci, tornei monge
E adoro os teus olhos
A vida é que continua
A minha dor é só tua
O tempo é que não para
E se a alma não se amarra
O coração é volúvel
Passam anos como nuvem
O tempo passa depressa
Quando o juízo regressa
Choro não faz ganhar nada
A lembrança é sempre amarga!
É verdade, assim sonhei
Juramentos. E o tempo passa...
Carlos Tronco
Mondeville
21 juin 2010
domingo, 27 de junho de 2010
"O jornalista João Ferro, que foi um dos fundadores da SIC, em 1992, foi encontrado morto, esta terça-feira, na casa onde vivia sozinho, desconhecendo-se a causa do óbito.
João Ferro trabalhou na agência noticiosa russa Novosti, na RTP e na SIC, da qual foi fundador e onde exerceu durante mais de uma década e até se reformar, integrando atualmente o Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas.
Conhecedor dos temas internacionais, uma das suas últimas participações como jornalista foi um texto sobre o Muro de Berlim, escrito para um dossier especial com que a SIC Online assinalou o aniversário da queda do muro. "
Extracto
http://www.destakes.com/redir/30e3e79f1f...490532839df1185
O João foi o artesão que, com um grupo de amigos muito proximos, ajudou a publicação do meu primeiro livro "O que é a vida afinal ?"
Repousa em paz Amigo.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
À sombra de um velho Tronco
Um dia, cansado, sentei-me. A não ser que tenha dobrado os joelhos. Dobravam-se as pernas, pesava a mente. Algo como a massa da consciência, multiplicado pela aceleração da idade, em uma palavra o peso de um princípio de velhice. Sentei-me e pedi conselho à minha árvore.
Já vos tinha falado da minha árvore?
Naquele tempo plantavam-se soutos. Sabia-se que a vida é curta e que castanhas só provariam os filhos, e mais provavelmente apenas os netos. Castanheiros havia-os com centenas de anos: alguns, 10 homens de braços estendidos, não eram suficientes para os abraçar.
No acto de plantar uma árvore, havia o dom do saber fazer, mas também e sobretudo a esperança no futuro. Um castanheiro cresce devagar e é devagar que se aprende. Devagar e com esforço. Com as estações que passam, com as andorinhas que voam, com a chuva que cai.
A neve é branca.
O meu avô, tinha por ofício carpinteiro: sabia que em matéria de traves, a nobreza do castanho, nada tinha de comparável com a avidez do eucalipto. Como o tinha feito o seu avô, plantou um castanheiro para mim. Como eu plantei um para os meus netos. Terei netos um dia? A sombra já os espera. Porque na vida é necessário parar. Parar para reflectir e nada tal que a sombra amiga de uma velha árvore para pensar na vida. Pensar que, mesmo quando a bolsa de valores sobe ou desce em Nova Iorque, em Londres, (até parece um filme do Cantinflas) a terra continua a girar, exactamente à mesma velocidade, em torno do sol. Por isso é necessário olhar o futuro; plantar hoje para que as gerações futuras possam continuar a crer. Possam enfim acreditar que é no dom de si, na transmissão do seu saber, que o ser humano se glorifica e não na capacidade em roubar as classes operárias, na capacidade a enganar o povo.
O meu avô, plantou um castanheiro, para eu poder ensinar um dia aos meus netos a aplainar uma tábua, a fazer uma mesa, a erguer um telhado, tal como José o ensinou ao Cristo na nossa mitologia cristã, enquanto Maria protegia a sua virgindade. Sentei-me à sombra do meu velho castanheiro e este aconselhou-me. Aconselhou-me a continuar a aprender. O dom de si, a transmissão do seu saber e experiência, nunca são suficientes. Não devem ter limites. Hoje, que as minhas barbas se tornaram brancas, decidi voltar à vida de aprendiz. Porque só quem mantém actuais os conhecimentos pode continuar a transmitir algo útil. Vinte anos depois de ter sido admitido como professor titular (certifié) decidi completar o terceiro ciclo de engenharia mecânica. No oficio de carpinteiro, o essencial no aplainar de uma tábua, não é o render esta o mais lisa possível, mas acariciar a matéria em sinal de homenagem à arvore sacrificada para que a tábua, a mesa, a trave possa vir a existir. Assim, o carinho do gesto, torna-se um acto de amor e não uma simples operação destinada a fabricar, para vender.
Aí esta toda a diferença entre o humano e o profissional. O humano, é sem dúvida profissional quando procura a perfeição do gesto. O profissional que apenas trabalha para angariar fortuna (o que muitas vezes mal chega para cerveja, cigarros e futebol) não só apenas transmite vento, como degrada altamente a sua nobre condição de ser humano. No entanto tem filhos. Um dia terá netos. Que lhes poderá transmitir? Uma conta bancária antes mesmo de saberem limpar o traseiro? Um carro, muito antes de saberem assoar os “moncos”? Nada de nobre poderá transmitir e se não o faz, quem poderá superar as deficiências morais e intelectuais deste pai? Deste avô? Sei. O professor que tanto criticais, é pago para isso. Ter os tomates que vós pais não tendes. O santo professor “fazedor” de milagres: pai, filho e espírito santo em um só homem indigente e mal pago.
Portanto, cada dia que devereis perguntar qual será o futuro dos vossos filhos, orai:
-Ajudai-nos santo professor, pois nós pais indignos, não passamos de uma nojenta parelha de burros.
Carlos Tronco
Mondeville
22/06/10
sexta-feira, 14 de maio de 2010
beijo na nuca
adoraria deitar-me nas tuas costas
deixar-me levar pelas ondas
como quem se atira ao mar
deitar-me para aprender
qual o teu gosto mulher
ouvir as gaivotas cantar
quando se trinca a cereja
por madura que ela seja
tem o caroço no meio
se me deito prà trincar
é para o teu lado acordar
uma mão sobre o teu seio
parece até ser um fado
de um casal enamorado
sem cordas dar à guitarra
é triste estar tão longe
é quase vida de monge
mas um dia há-de ser farra
é triste cantar sozinho
parece tristeza de vinho
e a solidão me embebeda
amar sem ter a presença
da mulher a quem confessa
é mesmo vida de ...pedra
pedra suja dos caminhos
e lá vamos tão sozinhos
por ai a rebolar
poder dizer a verdade
maneira de matar saudade
para quem não pode amar
Carlos Tronco
Mondeville
13/05/10
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Uandala kuia ni e me?
É na poeira dos caminhos,
que melhor se escrevem
as lendas dos amores vadios.
Um dedo desenha letras
de um alfabeto
imaginário
só conhecido por quem ama.
Por vezes aparecem vírgulas
travessões, pontos finais.
Algo então aconteceu:
um beijo,
um abraço,
nasceu um amor.
Suspenso aos lábios da vida,
há que continuar a caminhar,
para que de novo,
as lajes se cubram de poeira
e novas historias de amor se tornem possíveis.
Só o tempo tem o poder de tudo apagar.
Não é amado quem quer.
Mas quem, como Martinho,
Partilha a metade do coração,
Tem mais hipóteses de não caminhar sozinho.
Então a cigana disse:
Vê-se nos teus olhos.
Carlos Tronco
Cabala
06-05-10
domingo, 25 de abril de 2010
Trago um cravo no peito, vermelho amor-perfeito...
terça-feira, 20 de abril de 2010
Uma catedral à beira mar
Junto ao mar
esse mar de pedras
onde começa a esperança
deixei como uma oração
um principio de catedral
onde cada nada é uma prece
ali, em constante desequilíbrio
o frágil da vida
à mercê do vento
do tempo
quem sabe, de um Deus.
Mas só assim pude voltar a luta
ao passo de dança
que nos conduz
pé ante pé
pedra sobre pedra
a outras madrugadas
Quem sabe...
Katia Guerreiro
também canta naquele fado maravilhoso:
-“Acordar contigo ao lado e te beijar...”
Carlos Tronco
Ïle grande, Bretanha
Abril de 10
sábado, 17 de abril de 2010
Bretanha
mar semeado de rochedos negros
inferno de granito,
um quase atlântico
sente-se a morte,
teme-se o mito
e o tempo passa
gritando
o seu triste pranto
a maré vai
e sempre volta
a fugir
abraçando areias
alimentando conchas
e os rochedos cansados
de orar e pedir
desfazem-se em pedaços,
rolam feitos bolas,
mas alma de pedra
ninguém sabe medir
Carlos Tronco
Île de Batz
17/04/10
quarta-feira, 10 de março de 2010
Esperança
Esperei. Esperei que a novidade fosse boa. Esperei que contivesse alguma esperança. O caos adorna tudo o que nos envolve e nos foi querido. O combate foi intenso. Durou todo o tempo, em que persistiu a inteligência. Mas o inimigo era invencível. Perdemos o primeiro combate. Agora devemos angariar novas forças ou seremos vencidos de vez. Não vos prometo a vida fácil de qualquer “americain way of live”.
Deveis saber porque combateis. Solidariedade. A tomada de consciência é o primeiro passo para alcançar a vitória. Não podereis ajudar o próximo, se vos mesmos fôreis incultos. Primeiro cultivai-vos. Não se trata de conseguir o tão desejado título de “doutor”, mas sim de ser capaz de concretizar com as vossas mãos, o que imagina o vosso espírito. No entanto ser-vos reconhecida a capacidade não é suficiente. É necessário, conseguir, concretizar, realizar: isto é apenas o primeiro passo.
Se tomais consciência, aprendeis, realizais e não conseguis transmitir o vosso saber, então para nada serviu o vosso combate. O homem não é eterno. Se depois de vos nada restar da vossa experiência, haveis sido inúteis. Parasitas. Os vossos erros devem evitar os mesmos erros a quem vos segue. Não evitará, sem duvida, novos erros. Diminuirá, no entanto, a probabilidade de errar e como tal, participará, à edificação de uma sociedade mais humana.
O aperfeiçoamento do homem, é a condição necessária, mesmo se não suficiente, para avançar no caminho do alto. No entanto, para alcançar o cume, será necessário que a esperança subsista.
Já Camões escrevia:
“Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia o pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia...”
Depois de sete requerimentos infrutíferos, depois de sete anos de espera, hoje fui autorizado a regressar à Faculdade de engenharia mecânica Pretendo que para ensinar é necessário ter a humildade de quando em quando de voltar a ser aprendiz.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Além-Tejos
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Abre-te coração
Para beijar o coração
como quem beija uma mão
terá que se abrir o peito
com facadas, com punhais
com palavras e muito mais
com carinho e com jeito...
como quem beija uma mão
terá que se abrir o peito
com facadas, com punhais
com palavras e muito mais
com carinho e com jeito...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Dizer
dói-me ver-te assim longe
sem poder tocar-te
-nem me digas nada.
sem poder secar as tuas lágrimas
-sabes...
sem poder beijar os teus olhos
impotente
frente a distancia
ao tempo
dói-me e nos dedos que tremem
ao escrever o teu nome
sinto os segundos fugir
como água que não lava
de tanto correr
quisera fazer tranças
dos teus cabelos
dizer o indizível
e até não falar
ser mudo
mas sussurrar ao teu ouvido
amo-te
carlos tronco
primeiros minutos de Janeiro 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Vaga-lumes
Vaga-lumes,
micróbios estrelas,
luzes amarelas?
São verdes?
Vermelhas?
Pequenas são elas
E a ti, ofereço
As luzes mais belas
carlos tronco
luso poemas
30/12/09)
micróbios estrelas,
luzes amarelas?
São verdes?
Vermelhas?
Pequenas são elas
E a ti, ofereço
As luzes mais belas
carlos tronco
luso poemas
30/12/09)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Fado do amanhecer
Se não é lindo, é um fado
a sina assim o quis
um fado escrito a giz
no negro profundo, de um quadro
Se é lindo porque diz
o que da alma expressa
a alma de aprendiz
é linda, mas não confessa
Ser lindo será pecado?
De palavras capitais,
talvez seja até recado
Das cordas ouvimos ais.
Só cordas de enforcado,
nunca cantam, nunca mais.
Carlos Tronco
a sina assim o quis
um fado escrito a giz
no negro profundo, de um quadro
Se é lindo porque diz
o que da alma expressa
a alma de aprendiz
é linda, mas não confessa
Ser lindo será pecado?
De palavras capitais,
talvez seja até recado
Das cordas ouvimos ais.
Só cordas de enforcado,
nunca cantam, nunca mais.
Carlos Tronco
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Pretendi
Pretendi esquecer
Quem era
Esqueci o vento
E ao sol atento
Quase não sorri
Esqueci a terra
Esqueci a guerra
Esqueci a língua
O tempo que mingua
Esqueci-me aqui
Perdi o alento
Se bem me recordo
Esqueci que era
Vivo
E me perdi
Perdi-me em sonhos
Perdi o destino
Se calhar o tino
Perdi-me de ti
Um dia voltei
Sem ter sido rei
E estamos aqui
Carlos Tronco
Baron sur Odon
01/01/2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Imagino
Sei
que as minhas mãos
nada mais provocam
em ti
que arrepios.
Sobretudo,
quando
beijando a tua nuca,
deixo escorregar
as minhas mãos
da ponta dos teus seios
até ao redondo
das tuas ancas.
Imagino aquele deus
amassando barro.
Imagino,
pois escrever
não sei.
Carlos Tronco
Mondeville
09/02/10
que as minhas mãos
nada mais provocam
em ti
que arrepios.
Sobretudo,
quando
beijando a tua nuca,
deixo escorregar
as minhas mãos
da ponta dos teus seios
até ao redondo
das tuas ancas.
Imagino aquele deus
amassando barro.
Imagino,
pois escrever
não sei.
Carlos Tronco
Mondeville
09/02/10
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Um adeus
Um adeus apenas
até à ponta branca de um lenço
agitado
até o vento acalmar
um adeus
uma dessas tristes cenas
em que o barco se vai
e fica por companhia
o mar
Carlos Tronco
Luso poemas
13/12/09
até à ponta branca de um lenço
agitado
até o vento acalmar
um adeus
uma dessas tristes cenas
em que o barco se vai
e fica por companhia
o mar
Carlos Tronco
Luso poemas
13/12/09
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Os simples e não menos concretos
Coisas simples;
um apelo à essência,
ao imprescindível,
a procura de um equilíbrio
Há quem fume depois do amor
A mim,
agrada-me a ideia,
de um acordar ao som de primavera
e partilhar torradas e café com leite.
A chuva é uma promessa de abundância
O carinho?
Adoro
A poesia não é o pão quente das almas ligeiras?
O alento que sente soprando ao vento,
os sonhos, os suspiros
As letras escritas
e simples
de quem a saudade peneira?
Carlos Tronco
Mondeville
23/11/09
ONDE ESTAS?
Medir a saudade, como quem mede a lágrima
enchendo a almotolia para que brilhe a chama
e atento ao tempo que não passa, ao amor sem sorrir
sufocar, desalento, esperando alguém
Que não ficou por vir e como vir não tem
Medir a milímetro e de braços abertos
para abraçar a vida, para parar o tempo
medir para abraçar e os cabelos descobertos
deixar o senhor vento espalhar o meu tormento
que enfim amando, possa ser feliz
Tristeza é coisa que passa
só quem vive, pode sentir
triste hoje para amanhã sorrir
Carlos Tronco
Mondeville
21/11/09
enchendo a almotolia para que brilhe a chama
e atento ao tempo que não passa, ao amor sem sorrir
sufocar, desalento, esperando alguém
Que não ficou por vir e como vir não tem
Medir a milímetro e de braços abertos
para abraçar a vida, para parar o tempo
medir para abraçar e os cabelos descobertos
deixar o senhor vento espalhar o meu tormento
que enfim amando, possa ser feliz
Tristeza é coisa que passa
só quem vive, pode sentir
triste hoje para amanhã sorrir
Carlos Tronco
Mondeville
21/11/09
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Entre sonhos e penas alguém há-de voar...
Escolher, também é exercer a liberdade
escolhemos, portanto muitas vezes as algemas
e assim morremos presos ao passado, à saudade
somando sonhos perdidos, com perdidas penas
escolhemos, portanto muitas vezes as algemas
e assim morremos presos ao passado, à saudade
somando sonhos perdidos, com perdidas penas
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 9
No sétimo dia a obra foi dada por acabada.
Tinha terminado a minha primeira casa de banho
Dois meses de férias tinham passado
Seis horas
Abri a torneira
Tomei uma bem-vinda «duche»
Depois, deitei-me de novo, moralmente exausto
Adormeci
Amanhã, um novo ano lectivo me espera
Que ensinar?
O meu avô pretendia que os calos eram mais valiosos que as unhas
Mais uma espécie em vias de extinção mas, à qual alguma sociedade de protecção dos animais se irá interessar
Quando morrer o ultimo poeta, o mundo inteiro, nem cantar saberá.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 8
Acordei sonhando. A noite fora um pesadelo. Senti-me afogar no dilúvio das torneiras esquecidas abertas, tal era a minha sede de purificação. Abandonei-me a ferocidade das ondas e não larguei o leme. Novo Ulisses, resisti a noite inteira a tentação das sereias de tão amarrado estar ao destino da obra.
Dormi e sonhei. No sexto dia, o sonho tornou possível a poesia.
Não uma poesia de palavras onde a métrica compete com a inutilidade. Não. Não uma poesia escrita para evitar que a verdade seja dita.
Sim, uma poesia simples.
Uma poesia de gestos onde o verbo segue a linha traçada pelo escopo, como arado que fere a terra para lhe dar vida.
Poesia de actos.
De sorrisos.
De esperanças.
Onde se sente atingir a plenitude, porque o gesto é conseguido e o conseguido corresponde a doação do melhor de si para o bem comum. Onde cada gesto é uma perpétua aprendizagem e cada aprendizagem, um passo no caminho da perfeição.
Aqui um chuveiro.
Além um radiador.
Um espelho.
Uma luminária.
Procurando a harmonia.
Tentando obter o belo.
Sabendo que gostos e cores não se discutem.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 7
A obra avançava; Podiam-se adivinhar desde agora os contornos do caminho do alto.
A meta aproximava-se, e com a proximidade do fim, começaram a aparecer as dúvidas.
Seriam as paredes suficientemente espessas para resistir ao assalto da ignorância?
Seriam as canalizações suficientemente resistentes para resistir a pressão da impureza?
Seria a luz suficientemente clara, para que se tornasse evidente a emancipação?
Era questão de saber e logo de ciência.
Era questão de pureza e logo de consciência.
Era questão de liberdade e logo de justiça.
No quinto dia o palácio, foi equipado com os apetrechos necessários ao seu funcionamento.
Aqui uma torneira que iria ofertar a água, além uma lâmpada para distribuir a luz.
A torneira fechada vedaria a água?
Com a humidade não haveria risco de choque eléctrico?
As dúvidas conduziam-me a perfeição do gesto e a perfeição do gesto à tranquilidade da alma. A experiência era a via do aperfeiçoamento.
No quinto dia as dúvidas apareceram e com as dúvidas nasceu a filosofia.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 6
Agora que o saber se encontrava protegido, tornava-se possível utiliza-lo.
Depois da água, veio a luz. Depois da luz, veio a segurança e com a segurança o belo tornou-se possível. Para decorar as nuas paredes, no quarto dia, foram cobertas de azulejo.
Primeiro azul para lembrar o mar onde se construi a identidade de um povo. Depois o azul misturou-se com o creme para testemunhar em arabescos geométricos da união entre os elementos. Enfim o creme sozinho para não esquecermos o leite materno e a nossa origem sociocultural.
A composição pretendia ser bela, e a beleza pretendia proclamar que inteligência e saber devem levar o humano à arte e não à perdição.
Em baixo o azul-escuro; em cima o creme claro. Tal é o caminho entre as trevas e a luz, entre o caos e a equidade.
domingo, 3 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 5
Depois da purificação e com a iluminação, impunha-se a
protecção. Seria a tomada de consciência, tal como Adão, que achou necessário cobrir-se, após ter provado a maçã da sedução ou então, a consciência de que seria necessário proteger o bem mais precioso, o saber?
No terceiro dia, começaram a sair dos abismos as paredes que se elevariam até à luz; primeiro de aço nu em homenagem a Hefaïsto, depois, esse aço foi coberto de escudos de gesso e celulose insensíveis à humidade. Diziam naquele tempo, que a água combatia o fogo, que sem fogo não havia aço, e que, enfim, havendo aço melhor fora que fugisse da ferrugem como da peste. Para agasalhar esta obra, as paredes foram guarnecidas com lã de rocha.
A partir de aí o saber pode serenar no aconchego de um palácio cuja função mais se assimilava a uma arca da aliança, sem as tábuas. Não. Nada estava escrito; mas em cada gesto havia a partir de então, o saber da experiencia.
sábado, 2 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 4
Depois de chegada a água, tornava-se possível a reflexão. Mas, para que na superfície lisa e calma das águas pudesse cintilar a inteligência, era necessário que existisse a luz; no segundo dia, o criador desejou a luz, e a claridade apareceu. Não a luz pálida e vacilante de um círio, brilhando apenas porque se mantêm as trevas da ignorância e que a mais ligeira brisa pode afogar. Uma luz dosada, económica e alta para que todos pudessem tirar proveito.
Dosada, porque todos sabemos o quanto as estrelas rendem cego. Económica para ser acessível a todas as bolsas. Alta para que a humanidade se levante. Para que tentando realizar o sonho último, o de tocar a luz, enfim escolha o caminho do alto e nunca mais aceite andar de rastros.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
A criação de um mundo
A criação de um mundo 3
A poeira havia coberto as almas. Impunha-se a purificação antes de tudo. No primeiro dia o criador desejou a água, e a água correu.
Não a agua salgada por tantas lágrimas de desespero, nem a agua gelada pela solidão; a purificação deveria obter-se com a água temperada pela esperança.
Foi necessário trazê-la de longe.
Em cobre torcido pelas labaredas de um fogo, ele mesmo purificador. Um fogo nascido da união entre um oxigénio que soprava a vida e um acetileno ardente que lhe concedia o aroma.
Subiu.
Desceu.
Virou.
Tornou a subir.
Tão as sendas da purificação eram tenebrosas.
A água aconteceu e a sede do conhecimento pode enfim ser regada.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
A criação de um mundo
A criação de um mundo 2
O combate prometia ser rude. Era necessário reunir um arsenal capaz de ajudar a vencer a inexperiência do criador. Nada de ultramoderno, de tudo o que esta tão à moda, nada da famosa tecnologia guerreira que serve não para libertar as mentes mas apenas ara espoliar as gentes. Não. A criação deste novo mundo, teria como exemplo, José o Carpinteiro e as suas mais simples ferramentas.
Então, este pai, não foi com simples serrote e plaina que ensinou ao Cristo o amor pela humanidade, que o levou a subir à cruz para nos salvar?
Alguém algum dia viu São José acariciar um madeiro de ceptro e tiara?
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
A criação de um mundo
A criação de um mundo 1
Ao começo, o tudo, nada mais era que vazio, onde o sentido jazia inerte no abismo de um mar de trevas. Depois, esperança em um espaço-tempo luminoso e o esquecimento sem futuro tinha dado origem a uma argamassa de desespero e escuridão. A poeira da quietude havia coberto os primícias da revolta e a sujeira invadira as almas.
Mas, Deus não havia criado o homem para que se submetesse à facilidade, nem o havia dotado de inteligência, para que alguém, rei ou papa, pensasse no seu lugar. Então, seguindo o exemplo divino, tudo recomeçou.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Musas, por onde andais?
Musas, por onde andais?
A tua canção acrescento da guitarra
a voz cristalina de quem a corda encanta
presença, que alegra, como farta seara
seja a tua presença a nota que levanta
O punho e conduza à liberdade
das almas encerradas no inferno
de ti vou cultivar mera saudade
enquanto não terminar o triste inverno
Depois, talvez violetas, amores-perfeitos
mil flores de primavera a enfeitar
caminhos bem mais tortos que direitos
Conduzam um dia a encontrar
em ti musa e poeta a inspiração
para as minhas pobres letras adornar
A tua canção acrescento da guitarra
a voz cristalina de quem a corda encanta
presença, que alegra, como farta seara
seja a tua presença a nota que levanta
O punho e conduza à liberdade
das almas encerradas no inferno
de ti vou cultivar mera saudade
enquanto não terminar o triste inverno
Depois, talvez violetas, amores-perfeitos
mil flores de primavera a enfeitar
caminhos bem mais tortos que direitos
Conduzam um dia a encontrar
em ti musa e poeta a inspiração
para as minhas pobres letras adornar
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Juízo

Juízo
Branco gelado, cristais de geada
Ao sol canta um passarinho
Apagou-se a lareira e procura ninho
Mais um. Sem dúvida, direis
Em breve, vira cantar os reis
Frágil como avezinha. Mas de forma humana
Natal e barriga cheia. Festeja-se Jesus
Duvido que aquele que então subiu à cruz
Tenha esquecido ser filho do Carpinteiro
E na voz da agonia que canta lá fora
Há a revolta de um Cristo morto para nos salvar
Sem nenhum de nós, pronto para o imitar.
Carlos Tronco
Azé
24/12/07
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Dizer Adeus
Disseste Adeus e pensei
Adeus quando eu morrer
Disseste adeus e sonhei
Te voltarei, eu, a ver?
Morrer só morro uma vez
Que Deus tenha piedade
E vidas me dê ele três
Para matar a saudade
Sonhei, foi pena, acordado
Por não conseguir dormir
Partir hoje é sem agrado
Dizer adeus é fugir
Que a morte não me apanhe
Quando de morto fingir!
sábado, 12 de dezembro de 2009
ESPERA
Já nem a lua me envolve
apenas a solidão
e há muito que não chove
são lágrimas do coração
coração tem também penas
mas nunca soube voar
e cansado com verbenas
será que pode ainda amar?
amar não é só ter sorte
escolher o bom caminho
se não for até a morte
melhor seja amar sozinho
sozinho porque estas longe
e não tenho o teu olhar
lua sabes não sou monge
necessito acariciar
dirás: isso é masturbação
sabe bem, dê onde der
torradas também são pão
sem manteiga; tu mulher
não posso ver os teus olhos
e amar o teu sorrir
recebe abraços aos molhos
tem pena, não te vás rir
é que rir por vezes mata
a troça também faz morrer
a vida tem uma data
limite para sofrer
já não sei o que dizia
esqueci-me do começo
talvez chegue esse outro dia
em que o amor não tenha preço
e juntos de braço dado
por ai em correrias
tu amada e eu honrado
aprenda o que já sabias
apenas a solidão
e há muito que não chove
são lágrimas do coração
coração tem também penas
mas nunca soube voar
e cansado com verbenas
será que pode ainda amar?
amar não é só ter sorte
escolher o bom caminho
se não for até a morte
melhor seja amar sozinho
sozinho porque estas longe
e não tenho o teu olhar
lua sabes não sou monge
necessito acariciar
dirás: isso é masturbação
sabe bem, dê onde der
torradas também são pão
sem manteiga; tu mulher
não posso ver os teus olhos
e amar o teu sorrir
recebe abraços aos molhos
tem pena, não te vás rir
é que rir por vezes mata
a troça também faz morrer
a vida tem uma data
limite para sofrer
já não sei o que dizia
esqueci-me do começo
talvez chegue esse outro dia
em que o amor não tenha preço
e juntos de braço dado
por ai em correrias
tu amada e eu honrado
aprenda o que já sabias
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Mil e uma noites
um dia virei bater a tua porta
um tapete enrolado sob o braço
de oriente senhora podeis crer
este tapete vale mais que grande espaço
voante e ainda por cima é de cor
o tapete liga onde for
como o arco-íris do amor
a tua doce anca e o meu pobre braço
um tapete enrolado sob o braço
de oriente senhora podeis crer
este tapete vale mais que grande espaço
voante e ainda por cima é de cor
o tapete liga onde for
como o arco-íris do amor
a tua doce anca e o meu pobre braço
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Cordas e amarras
A corrente, que nos amarra à terra
a corda que nos prende as velas
a terra onde cultivamos a alma
as velas que nos empurram, para o mar
fruto maduro, um dia, para enterrar
o vento que nos leva, ligeiros, a sonhar
tornando nossas vidas, belas.
a corda que nos prende as velas
a terra onde cultivamos a alma
as velas que nos empurram, para o mar
fruto maduro, um dia, para enterrar
o vento que nos leva, ligeiros, a sonhar
tornando nossas vidas, belas.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Lenços de papel
Se choras muito,
eu vou enviar-te um pacote de lenços
de papel .
Ouves?
Uma linda caixa cor-de-rosa,
com girassóis a enfeitar
Beijo cada lenço,
um a um
antes de enviar.
Como fazer depois, para tornar a dobrar?
Envio a caixa vazia!!!
Isto é, para quem vê com os olhos,
mas dentro irão,
com beijos, todos os meus sonhos.
E em vez de lenços de papel
para os olhos limpar
terás um pouco da minha
esperança
para
te consolar.
Carlos Tronco
Mondeville
13/02/07
eu vou enviar-te um pacote de lenços
de papel .
Ouves?
Uma linda caixa cor-de-rosa,
com girassóis a enfeitar
Beijo cada lenço,
um a um
antes de enviar.
Como fazer depois, para tornar a dobrar?
Envio a caixa vazia!!!
Isto é, para quem vê com os olhos,
mas dentro irão,
com beijos, todos os meus sonhos.
E em vez de lenços de papel
para os olhos limpar
terás um pouco da minha
esperança
para
te consolar.
Carlos Tronco
Mondeville
13/02/07
sábado, 5 de dezembro de 2009
A fonte onde correm mágoas
Já não são asas que batem
Nem deuses que levam a cruz
São apenas ais sem luz
Já nem os corações partem
Tudo mudou e um dia
Começaram a crescer
Eram filhos a viver
Fonte de melancolia
Como uma ponte caída
Ou nascente ressequida
Esqueci o meu sonhar
Há caminhos e são muitos
Não levam a nenhum lugar
Se forem corridos sozinho
Nem deuses que levam a cruz
São apenas ais sem luz
Já nem os corações partem
Tudo mudou e um dia
Começaram a crescer
Eram filhos a viver
Fonte de melancolia
Como uma ponte caída
Ou nascente ressequida
Esqueci o meu sonhar
Há caminhos e são muitos
Não levam a nenhum lugar
Se forem corridos sozinho
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Palavras de chorar
Os meus beijos não são beijos
minha mão, já nem existe
minha boca só persiste
a contar coisas em vão
são palavras, pensamentos,
mas são beijos, não se dão
são apenas os tormentos
no bater de um coração
são palavras, são malditas
não se podem transformar
em carícias em amor
são palavras de chorar
19/01/07
minha mão, já nem existe
minha boca só persiste
a contar coisas em vão
são palavras, pensamentos,
mas são beijos, não se dão
são apenas os tormentos
no bater de um coração
são palavras, são malditas
não se podem transformar
em carícias em amor
são palavras de chorar
19/01/07
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Canto de sereia
Livre como o vento em noite de vendaval
de fantasma lençol, como em carnaval
uiva mais que canta, imita a sereia
voz que não encanta, voz de perdição
Quando estende o braço, vazia a mão
doi o coração, é como cadeia
libre como o vento, brisa já sem ar
afoga-se de mansinho como a sonhar
Sente-se perdido, tal é a liberdade
percorre este mundo, sem qualquer vontade
fala com os muros, responde o silencio
que morde calado, sinal de fastio
Em pleno verão, sente calafrio
e os narcisos murcham, era de esperar
as flores são seres vivos
hão de se matar!
Carlos Tronco
Mondeville
14/04/06
domingo, 29 de novembro de 2009
Vulcão à beira mar
sábado, 28 de novembro de 2009
Se um dia
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Terra

Terra,
Não Santa Terrinha
Na serra
Terra
Sim, chão para trigo
Pão e sepultura
Terra
Não lugar engraçado
Em mapa rosado
Oh terra impura...
Terra da amargura
Tu, que lavro com carinho
E fecundo..
Pão e vinho
O fruto
Da nossa guerra.
Quantas almas
Foi preciso
Sacrificar
Para o teu nome santificar?
Carlos Tronco
Mondeville
24/10/06
domingo, 22 de novembro de 2009
Pão com manteiga

Sabias que ser feliz, é muito simples
não há como sorrir, tu podes crer
eu sei quando sorris, por vezes mentes
mas sei adivinhar, mesmo sem ver
O dia esta lindo, mesmo se chove
o frio, também o vento, querem brincar
é pois o teu verbo quem comove
dizes, quero viver, não vou deitar
Apetece-me. Sim, a vontade, é quem dá força
sair, contar as gotas, dessa chuvinha
saltar nas poças de água e ser moça
Procurar pastelaria e que aproveite
pão quente com manteiga, torradinhas
e um copo de, café com leite.
Carlos Tronco
Mondeville
18/06/08
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Se tu me deres
Se tu me deres, um pouco do teu alento
Um pouco da tua graça
Dás-me pão, dás-me sustento,
E lá vou eu, pobre vento, a correr, até à praça
A dizer, com alegria
A quem passa, vai e vem
Que alguém me deu também
O que deu à Cruz Maria
Quero que saibam,
As barbas servem para isso
Os filhos que penduravam
São mais que fé, são feitiço
Vão crescendo e aprendendo
E quem tão pouco ensinou
Só a voar ajudou
Bater asas sozinho
Depois de árvore plantar
Dos meus filhos - mas não só - criar
Depois de algumas páginas escrever
Chega o momento fatal
Em que acorda o animal
Que nasceu para vencer
Se tu me deres
O sorriso dos teus lábios
Não preciso de mais fados
Nem do amor de outras mulheres.
Um pouco da tua graça
Dás-me pão, dás-me sustento,
E lá vou eu, pobre vento, a correr, até à praça
A dizer, com alegria
A quem passa, vai e vem
Que alguém me deu também
O que deu à Cruz Maria
Quero que saibam,
As barbas servem para isso
Os filhos que penduravam
São mais que fé, são feitiço
Vão crescendo e aprendendo
E quem tão pouco ensinou
Só a voar ajudou
Bater asas sozinho
Depois de árvore plantar
Dos meus filhos - mas não só - criar
Depois de algumas páginas escrever
Chega o momento fatal
Em que acorda o animal
Que nasceu para vencer
Se tu me deres
O sorriso dos teus lábios
Não preciso de mais fados
Nem do amor de outras mulheres.
sábado, 14 de novembro de 2009
A criação de um mundo
A!
Com a ponta do dedo
Tal uma varinha de condão
Desenhava
Ou melhor rabiscava
Nas tuas costas
Letras de um alfabeto
Imaginário
M!
Que tentavas adivinhar.
A tua pele
É sedosa
Macia
Cálida
Agradável ao tocar.
De quando em quando,
Um breve arrepio
O!
Acompanhava a peregrinação
Do meu dedo.
Ia escorregando
Ao longo da tua coluna vertebral.
Por vezes estremecias.
R!
Ainda não tinha terminado inteiramente
A letra G
E ja tu deixavas escapar um sussurro
AAAAAAAAAA
Depois outro mais intenso
Um quase gemido
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Acordei
O meu peito abandonado
Ao teu dorso
Agora
A mais formosa e delicada
Pagina
Do nosso romance de amor
Começava a desvendar
A face escondida da lua.
Com a ponta do dedo
Tal uma varinha de condão
Desenhava
Ou melhor rabiscava
Nas tuas costas
Letras de um alfabeto
Imaginário
M!
Que tentavas adivinhar.
A tua pele
É sedosa
Macia
Cálida
Agradável ao tocar.
De quando em quando,
Um breve arrepio
O!
Acompanhava a peregrinação
Do meu dedo.
Ia escorregando
Ao longo da tua coluna vertebral.
Por vezes estremecias.
R!
Ainda não tinha terminado inteiramente
A letra G
E ja tu deixavas escapar um sussurro
AAAAAAAAAA
Depois outro mais intenso
Um quase gemido
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Acordei
O meu peito abandonado
Ao teu dorso
Agora
A mais formosa e delicada
Pagina
Do nosso romance de amor
Começava a desvendar
A face escondida da lua.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Meio manto
Imagino que ainda dormes descansada
É verão e nua sonhas consolada
Pelo fresco do ribeiro e sua água
Sorris quando sentes o meu peito
Encostado às tuas costas com respeito
Tentando apaziguar a tua mágoa
Ontem não voltaste, talvez zangada
E o tempo demorou, só a alvorada
Me trouxe um pouco da esperança que perdi
Por isso nos teus sonhos vim tão junto
E sem nenhum pudor eu te pergunto
Que sentes ao deitar-me junto a ti
Onde vamos mulher, eis o caminho
Quero descobri-lo palmo a palmo com carinho
Percorrê-lo ao teu lado olhando em frente
Cairei, mais de uma vez estou seguro
Quero ver no teu olhar um azul puro
E que seja a tua mão que me levante
Carlos Tronco
Mondeville
28/01/08
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um Sol
Uma estrela apenas
A luz
Um cheiro de lavanda
De sul
De vida
De areia, de mar
Um sol.
Um sol
Da primeira alvorada
Uma estrela da madrugada
Uma luz de candeia
De azeite
De terra quente
O sonho que solda
O rir
A felicidade
De um primeiro beijo
Dado sem saber
Naturalmente
Como o primeiro
Dado pelo sol
À lua
Uma espécie de estrela
Redonda
De tanto acariciada
De tanto desejada
Beijada pelo sol
Perfumada desde cedo
Tentando aprender a voar
Erguendo-se
Com dificuldade
Das manhãs de inverno
Quando o frio das geadas
Amarra a alma
À horizontal planície
Como prece longínqua
A estrela do pastor
Então Vénus
Braço após dedo
Vagarosamente
A coragem
Acaba por vencer
As trevas
Para que enfim
O milagre do dia
Aconteça
E que o azul seja a assinatura
Do amor celestial
domingo, 8 de novembro de 2009
Renasceu
Renasceu
Das cinzas
Do nada
Fora árvore
Dera sombra
Floresceu
E o fruto alimentou.
Confidente de namorados,
Casa de pássaros,
Ninho de ventos.
Sonhou ser navio,
Sustento de velas,
Mesa de manjar,
Armário de panelas,
De janela madeira,
Liberdade de olhar.
Ardeu.
Ficou em cinzas.
E eu ao olhar para elas,
Perguntei:
-Porque assim findas?
Tu Tronco
De árvores belas.
Carlos Tronco
Azé
22 - 12 - 07
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