sábado, 21 de agosto de 2010

ENCONTROS



Não são abraços nem beijos, a distância não permite
Mas algures em um velho peito, um coração em palpite
A emoção foi violenta, ia-me dando uma coisa
Deixastes dos astros o brilho, das estrelas os sorrisos
É bom saber, nesta vida - bem preciso - ter amigos!
Para navegar em mar alto e depois deixar na lousa.

Palavras e muitas vezes, sem o mínimo sentido.
Pensamentos, sonhos, ventos; até perco o juízo;
Mas procuro, simplesmente, um caminho, uma picada,
Que me leve mais adiante e se possível mais alto
Quero voar um dia, no dia do grande salto
Admirar na planície, a fragilidade da vida.

Ver, de um só olhar, do horizonte a verdura
Dos belos campos de trigo e no meio a formosura
O verde da esperança, pois com trigo não há fomes,
O vermelho das papoilas, violência da paixão
Recordar uma vida cheia e no meio do coração
Sentir todos os amigos, recordar os meus amores.

E aí dizer: oh Deus! A minha vida foi boa.
Dá-me mais alguns aninhos, não faças coisas à toa.
Falta-me ainda confessar, ainda não disse tudo:
O meu primeiro amor, encontrei-o num altar
Era uma virgem de barro e continuo a procurar
O que a virgem não me deu, quando ainda era miúdo!

Carlos Tronco
Évora
24/02/04

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Estrela da Galicia"




Estrela da Galiza

Esperava que caísse a noite.
Que sobre o mar caísse,
O brilho das estrelas.
Quando o mar mais negro
Brilhava só de vê-las,
Aí sim, me aproximava da areia.

Que fazia ali? Nadar não sabia.
A água gelada, o banho proibia,
Se o mar está bravo, não há
Como vencer,
Sentado na praia,
Tentava aprender.

Olhava as crianças, construir castelos;
Castelos de areia, de vários modelos,
Atitude simples, de génio primário:
Sem Deus por modelo,
Nem santo sudário.
Erguiam castelos de sonhos, meninos
De areia molhada e de grãos mui finos.

Algures se empregava, o aço e cimento
Se faziam torres,
Prisões para os homens.
Felizes como peixes,
Com o anzol na goela;
Ou burros de cigano,
Presos a uma argola.

Carlos Tronco
Muros
02/08/10

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Santiago Mata-mouros




Depois de um ano de incertezas profissionais, aqui estava de novo, em Galiza, sentado frente à ria de Noia e Muros, a escassos quilómetros de Portosin. Tinham passado 13 anos. A minha filha mais velha tem agora doze, e há treze anos tinha lutado com sucesso para obter a qualificação de “professeur certifié” na área da mecânica aplicada. Desde então, exerci em vários estabelecimentos de ensino técnico e superiores, uns anos com mais facilidade, outros com mais dificuldades, mas em geral tentando transmitir aos alunos, um pouco do meu conhecimento técnico adquirido não somente nos bancos da escola como também em varias empresas privadas de quem fui empregado quando mais jovem. Como o tempo passa! E nada muda.

Sempre a mesma promessa de felicidade da parte de quem nos quer submissos, governar. Sempre as mesmas palavras de ordem para “papanatas”:
-Travaillez plus pour gagner plus!

Uma porra! …assim vão enchendo os bolsos e alimentando o sistema bancário helvético, enquanto a massa anónima dos trabalhadores, vai perdendo fé e esperança. Vai-se admitindo que ao fim e ao cabo, são todos iguais, vai-se admitindo a necessidade de um poder forte, “fazedor” de milagres como no filme “O botas e o Galego” que há muito já quase esquecestes. Vai-se contentando com histórias de milagres, de meigas e fadas e sofrendo a incultura ultra securitária de quem apenas defende os interesses da sua casta, senão os próprios interesses. Assim nasce uma nação próspera para alguns e miséria e maldição para quase todos.

- E porque é que o povo não se revolta, perguntareis?
Porque o principal dirigente, se afixa com beldades com quem a maioria da população masculina desejaria copular. Em uma palavra, todo um povo financiando as putas da República com a impressão de, por isso, beneficiar também do bordel, bordel onde apenas os outros comem.

-E quando o bordel por telepatia já não chegar para contentar o povo?
Haverá sempre um papa, um rabi, um mollah para mostrar o caminho do paraíso, para palrar de felicidade, só que, os milagres, nem em Fátima nem em Lourdes acontecem todos os dias e dar a mama à religião custa cada dia mais caro. Caro tão ou mais que os seus compadres militares. Quanto não custa hoje em dia criar uma guerrita para entusiasmar o Zé-povinho?

Alguém se lembra da heróica luta do povo afegani contra o invasor soviético? Alguém se lembra do principal aliado do “ocidente livre” , financiado e treinado por fundos obscuros, que lhe permitiu adquirir, por exemplo mísseis Stinger capazes de abater um helicóptero como uma caçadeira abate uma perdiz ou um cajado duas lebres? Já esquecestes claro; que um Deus vos perdoe. Já esquecestes, mesmo se todos os dias vos falam no heróico combate contra o mal absoluto, da santa irmandade ocidental...milagres hoje em dia custam caro e santos, que como Francisco faziam votos de pobreza, já os não há. Então em vez de investir no bem comum de toda uma população, isto é, em serviços públicos, ao contrário, pilha-se o bem comum de uma nação. Os larápios, deixam de ser quem liquida empresas e despede trabalhadores, mas vêm a ser quem alimenta toda esta máfia com o seu suor, nas fábricas, nos campos, em todo recinto onde trabalho é lei. Fecham-se hospitais, despedem-se professores, aumenta-se a idade legal de aposentamento. Nivela-se pelo mais baixo e inventa-se uma palavra de ordem que tudo justifica, até as maiores imbecilidades: Crise!!!

Haja “tevê”e futebol e nunca mais se repetira 1789! Quantas mais forem as “Bastilhas” a tomar, menos haverá de “Sans-cullottes” para o fazerem.
Se o povo desde sempre parece andar de saia, se já não se sabe quem ainda veste calças, parece cada dia mais óbvio que o povo já não tem tomates.

Este ano o 25 de Julho calhava um domingo. É Ano Santo. Fui-me a caminho de Santiago. O polvo à feira estava estupendo e o albariño ainda melhor.

Carlos Tronco
Linteiros- Miñortos
27-07-10

A mãe foi...




A mãe foi...

A mãe foi!
Que frase tão triste.
Não há que fazer!
Que dizer?
Despiste a alma
O termo final
A mãe foi-se e tu
Ferido animal
Lambes as feridas
De um chicote divino.
Que pensar?
A mãe foi-se...
O próximo sou eu!
Cristão, Maometano
Ou mesmo Judeu
Não há quem nos valha
Quando tal evento
Mete um termo à vida
Para até o tempo

Quando vai a mãe,
Quem nos da alento?

Carlos Tronco
Noia
01/08/10

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Honfleur: foz do Sena vista da capela de Notre Dame de la Grâce




Silêncio


O silêncio, se bem que

bem dito,

nada mais é que dor

dor que amordaça a alma

e esmaga a gente

a palavra, pode-a libertar

e se for de amor

conduz-nos,

tal a mão de um deus;

seguimos em frente


Carlos Tronco

Mondeville

05/12/08

terça-feira, 29 de junho de 2010

Juramentos. E o tempo passa...




Nunca te disse, sonhei
Nunca beijei os teus lábios
Se não sorri, não chorei
Se não falei, foi pecado

Se eram doces ou salgados,
Ousara e pudera ser amado

Se o disse, já vai longe
O tempo dos doces sonhos
Não esqueci, tornei monge
E adoro os teus olhos

A vida é que continua
A minha dor é só tua

O tempo é que não para
E se a alma não se amarra
O coração é volúvel
Passam anos como nuvem

O tempo passa depressa
Quando o juízo regressa
Choro não faz ganhar nada
A lembrança é sempre amarga!

É verdade, assim sonhei
Juramentos. E o tempo passa...


Carlos Tronco
Mondeville
21 juin 2010

domingo, 27 de junho de 2010




"O jornalista João Ferro, que foi um dos fundadores da SIC, em 1992, foi encontrado morto, esta terça-feira, na casa onde vivia sozinho, desconhecendo-se a causa do óbito.

João Ferro trabalhou na agência noticiosa russa Novosti, na RTP e na SIC, da qual foi fundador e onde exerceu durante mais de uma década e até se reformar, integrando atualmente o Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas.

Conhecedor dos temas internacionais, uma das suas últimas participações como jornalista foi um texto sobre o Muro de Berlim, escrito para um dossier especial com que a SIC Online assinalou o aniversário da queda do muro. "

Extracto
http://www.destakes.com/redir/30e3e79f1f...490532839df1185

O João foi o artesão que, com um grupo de amigos muito proximos, ajudou a publicação do meu primeiro livro "O que é a vida afinal ?"

Repousa em paz Amigo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

À sombra de um velho Tronco




Um dia, cansado, sentei-me. A não ser que tenha dobrado os joelhos. Dobravam-se as pernas, pesava a mente. Algo como a massa da consciência, multiplicado pela aceleração da idade, em uma palavra o peso de um princípio de velhice. Sentei-me e pedi conselho à minha árvore.

Já vos tinha falado da minha árvore?
Naquele tempo plantavam-se soutos. Sabia-se que a vida é curta e que castanhas só provariam os filhos, e mais provavelmente apenas os netos. Castanheiros havia-os com centenas de anos: alguns, 10 homens de braços estendidos, não eram suficientes para os abraçar.
No acto de plantar uma árvore, havia o dom do saber fazer, mas também e sobretudo a esperança no futuro. Um castanheiro cresce devagar e é devagar que se aprende. Devagar e com esforço. Com as estações que passam, com as andorinhas que voam, com a chuva que cai.
A neve é branca.

O meu avô, tinha por ofício carpinteiro: sabia que em matéria de traves, a nobreza do castanho, nada tinha de comparável com a avidez do eucalipto. Como o tinha feito o seu avô, plantou um castanheiro para mim. Como eu plantei um para os meus netos. Terei netos um dia? A sombra já os espera. Porque na vida é necessário parar. Parar para reflectir e nada tal que a sombra amiga de uma velha árvore para pensar na vida. Pensar que, mesmo quando a bolsa de valores sobe ou desce em Nova Iorque, em Londres, (até parece um filme do Cantinflas) a terra continua a girar, exactamente à mesma velocidade, em torno do sol. Por isso é necessário olhar o futuro; plantar hoje para que as gerações futuras possam continuar a crer. Possam enfim acreditar que é no dom de si, na transmissão do seu saber, que o ser humano se glorifica e não na capacidade em roubar as classes operárias, na capacidade a enganar o povo.

O meu avô, plantou um castanheiro, para eu poder ensinar um dia aos meus netos a aplainar uma tábua, a fazer uma mesa, a erguer um telhado, tal como José o ensinou ao Cristo na nossa mitologia cristã, enquanto Maria protegia a sua virgindade. Sentei-me à sombra do meu velho castanheiro e este aconselhou-me. Aconselhou-me a continuar a aprender. O dom de si, a transmissão do seu saber e experiência, nunca são suficientes. Não devem ter limites. Hoje, que as minhas barbas se tornaram brancas, decidi voltar à vida de aprendiz. Porque só quem mantém actuais os conhecimentos pode continuar a transmitir algo útil. Vinte anos depois de ter sido admitido como professor titular (certifié) decidi completar o terceiro ciclo de engenharia mecânica. No oficio de carpinteiro, o essencial no aplainar de uma tábua, não é o render esta o mais lisa possível, mas acariciar a matéria em sinal de homenagem à arvore sacrificada para que a tábua, a mesa, a trave possa vir a existir. Assim, o carinho do gesto, torna-se um acto de amor e não uma simples operação destinada a fabricar, para vender.

Aí esta toda a diferença entre o humano e o profissional. O humano, é sem dúvida profissional quando procura a perfeição do gesto. O profissional que apenas trabalha para angariar fortuna (o que muitas vezes mal chega para cerveja, cigarros e futebol) não só apenas transmite vento, como degrada altamente a sua nobre condição de ser humano. No entanto tem filhos. Um dia terá netos. Que lhes poderá transmitir? Uma conta bancária antes mesmo de saberem limpar o traseiro? Um carro, muito antes de saberem assoar os “moncos”? Nada de nobre poderá transmitir e se não o faz, quem poderá superar as deficiências morais e intelectuais deste pai? Deste avô? Sei. O professor que tanto criticais, é pago para isso. Ter os tomates que vós pais não tendes. O santo professor “fazedor” de milagres: pai, filho e espírito santo em um só homem indigente e mal pago.

Portanto, cada dia que devereis perguntar qual será o futuro dos vossos filhos, orai:
-Ajudai-nos santo professor, pois nós pais indignos, não passamos de uma nojenta parelha de burros.

Carlos Tronco
Mondeville
22/06/10

sexta-feira, 14 de maio de 2010

beijo na nuca




adoraria deitar-me nas tuas costas
deixar-me levar pelas ondas
como quem se atira ao mar
deitar-me para aprender
qual o teu gosto mulher
ouvir as gaivotas cantar


quando se trinca a cereja
por madura que ela seja
tem o caroço no meio
se me deito prà trincar
é para o teu lado acordar
uma mão sobre o teu seio

parece até ser um fado
de um casal enamorado
sem cordas dar à guitarra
é triste estar tão longe
é quase vida de monge
mas um dia há-de ser farra

é triste cantar sozinho
parece tristeza de vinho
e a solidão me embebeda
amar sem ter a presença
da mulher a quem confessa
é mesmo vida de ...pedra

pedra suja dos caminhos
e lá vamos tão sozinhos
por ai a rebolar
poder dizer a verdade
maneira de matar saudade
para quem não pode amar

Carlos Tronco
Mondeville
13/05/10

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Uandala kuia ni e me?




É na poeira dos caminhos,
que melhor se escrevem
as lendas dos amores vadios.
Um dedo desenha letras
de um alfabeto
imaginário
só conhecido por quem ama.
Por vezes aparecem vírgulas
travessões, pontos finais.
Algo então aconteceu:
um beijo,
um abraço,
nasceu um amor.
Suspenso aos lábios da vida,
há que continuar a caminhar,
para que de novo,
as lajes se cubram de poeira
e novas historias de amor se tornem possíveis.
Só o tempo tem o poder de tudo apagar.
Não é amado quem quer.
Mas quem, como Martinho,
Partilha a metade do coração,
Tem mais hipóteses de não caminhar sozinho.

Então a cigana disse:
Vê-se nos teus olhos.

Carlos Tronco
Cabala
06-05-10

domingo, 25 de abril de 2010

Trago um cravo no peito, vermelho amor-perfeito...




Se um dia por acaso aqui passaste
ao sentires na aurora o perfume da saudade
lembra-te do cravo vermelho que pisaste
e sabe porque perdeste a liberdade

Carlos Tronco

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma catedral à beira mar




Junto ao mar
esse mar de pedras
onde começa a esperança
deixei como uma oração
um principio de catedral
onde cada nada é uma prece
ali, em constante desequilíbrio
o frágil da vida
à mercê do vento
do tempo
quem sabe, de um Deus.
Mas só assim pude voltar a luta
ao passo de dança
que nos conduz
pé ante pé
pedra sobre pedra
a outras madrugadas
Quem sabe...
Katia Guerreiro
também canta naquele fado maravilhoso:
-“Acordar contigo ao lado e te beijar...”

Carlos Tronco
Ïle grande, Bretanha
Abril de 10

sábado, 17 de abril de 2010

Bretanha




mar semeado de rochedos negros
inferno de granito,
um quase atlântico
sente-se a morte,
teme-se o mito
e o tempo passa
gritando
o seu triste pranto
a maré vai
e sempre volta
a fugir
abraçando areias
alimentando conchas
e os rochedos cansados
de orar e pedir
desfazem-se em pedaços,
rolam feitos bolas,
mas alma de pedra
ninguém sabe medir

Carlos Tronco
Île de Batz
17/04/10

quarta-feira, 10 de março de 2010

Esperança




Esperei. Esperei que a novidade fosse boa. Esperei que contivesse alguma esperança. O caos adorna tudo o que nos envolve e nos foi querido. O combate foi intenso. Durou todo o tempo, em que persistiu a inteligência. Mas o inimigo era invencível. Perdemos o primeiro combate. Agora devemos angariar novas forças ou seremos vencidos de vez. Não vos prometo a vida fácil de qualquer “americain way of live”.
Deveis saber porque combateis. Solidariedade. A tomada de consciência é o primeiro passo para alcançar a vitória. Não podereis ajudar o próximo, se vos mesmos fôreis incultos. Primeiro cultivai-vos. Não se trata de conseguir o tão desejado título de “doutor”, mas sim de ser capaz de concretizar com as vossas mãos, o que imagina o vosso espírito. No entanto ser-vos reconhecida a capacidade não é suficiente. É necessário, conseguir, concretizar, realizar: isto é apenas o primeiro passo.
Se tomais consciência, aprendeis, realizais e não conseguis transmitir o vosso saber, então para nada serviu o vosso combate. O homem não é eterno. Se depois de vos nada restar da vossa experiência, haveis sido inúteis. Parasitas. Os vossos erros devem evitar os mesmos erros a quem vos segue. Não evitará, sem duvida, novos erros. Diminuirá, no entanto, a probabilidade de errar e como tal, participará, à edificação de uma sociedade mais humana.
O aperfeiçoamento do homem, é a condição necessária, mesmo se não suficiente, para avançar no caminho do alto. No entanto, para alcançar o cume, será necessário que a esperança subsista.

Já Camões escrevia:
“Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia o pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia...”

Depois de sete requerimentos infrutíferos, depois de sete anos de espera, hoje fui autorizado a regressar à Faculdade de engenharia mecânica Pretendo que para ensinar é necessário ter a humildade de quando em quando de voltar a ser aprendiz.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Além-Tejos




Entre sobreiros que fornecem a cortiça
E o fundo mar que lhe permite navegar
Nasce no profundo Alentejo
O sorriso que acompanha o meu pensar
Entre pinheiros e resina
Sonhos, também quimeras, desejar
A distância é algo como as cortinas
Através delas interrogo o teu olhar

Carlos Tronco
Melides
Agosto 07

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Abre-te coração

Para beijar o coração
como quem beija uma mão
terá que se abrir o peito
com facadas, com punhais
com palavras e muito mais
com carinho e com jeito...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dizer




dói-me ver-te assim longe
sem poder tocar-te
-nem me digas nada.
sem poder secar as tuas lágrimas
-sabes...
sem poder beijar os teus olhos
impotente
frente a distancia
ao tempo
dói-me e nos dedos que tremem
ao escrever o teu nome
sinto os segundos fugir
como água que não lava
de tanto correr
quisera fazer tranças
dos teus cabelos
dizer o indizível
e até não falar
ser mudo
mas sussurrar ao teu ouvido
amo-te

carlos tronco
primeiros minutos de Janeiro 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Vaga-lumes

Vaga-lumes,
micróbios estrelas,
luzes amarelas?
São verdes?
Vermelhas?
Pequenas são elas
E a ti, ofereço
As luzes mais belas

carlos tronco
luso poemas
30/12/09)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fado do amanhecer

Se não é lindo, é um fado
a sina assim o quis
um fado escrito a giz
no negro profundo, de um quadro

Se é lindo porque diz
o que da alma expressa
a alma de aprendiz
é linda, mas não confessa

Ser lindo será pecado?
De palavras capitais,
talvez seja até recado

Das cordas ouvimos ais.
Só cordas de enforcado,
nunca cantam, nunca mais.

Carlos Tronco

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pretendi





Pretendi esquecer
Quem era
Esqueci o vento
E ao sol atento
Quase não sorri

Esqueci a terra
Esqueci a guerra
Esqueci a língua
O tempo que mingua
Esqueci-me aqui
Perdi o alento

Se bem me recordo
Esqueci que era
Vivo
E me perdi

Perdi-me em sonhos
Perdi o destino
Se calhar o tino
Perdi-me de ti

Um dia voltei
Sem ter sido rei
E estamos aqui

Carlos Tronco
Baron sur Odon
01/01/2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Imagino

Sei
que as minhas mãos
nada mais provocam
em ti
que arrepios.
Sobretudo,
quando
beijando a tua nuca,
deixo escorregar
as minhas mãos
da ponta dos teus seios
até ao redondo
das tuas ancas.
Imagino aquele deus
amassando barro.
Imagino,
pois escrever
não sei.

Carlos Tronco
Mondeville
09/02/10

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um adeus

Um adeus apenas
até à ponta branca de um lenço
agitado
até o vento acalmar
um adeus
uma dessas tristes cenas
em que o barco se vai
e fica por companhia
o mar


Carlos Tronco
Luso poemas
13/12/09

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os simples e não menos concretos




Coisas simples;
um apelo à essência,
ao imprescindível,
a procura de um equilíbrio

Há quem fume depois do amor
A mim,
agrada-me a ideia,
de um acordar ao som de primavera
e partilhar torradas e café com leite.
A chuva é uma promessa de abundância
O carinho?
Adoro

A poesia não é o pão quente das almas ligeiras?
O alento que sente soprando ao vento,
os sonhos, os suspiros
As letras escritas
e simples
de quem a saudade peneira?

Carlos Tronco
Mondeville
23/11/09

ONDE ESTAS?

Medir a saudade, como quem mede a lágrima
enchendo a almotolia para que brilhe a chama
e atento ao tempo que não passa, ao amor sem sorrir
sufocar, desalento, esperando alguém
Que não ficou por vir e como vir não tem


Medir a milímetro e de braços abertos
para abraçar a vida, para parar o tempo
medir para abraçar e os cabelos descobertos
deixar o senhor vento espalhar o meu tormento
que enfim amando, possa ser feliz


Tristeza é coisa que passa
só quem vive, pode sentir
triste hoje para amanhã sorrir

Carlos Tronco
Mondeville
21/11/09

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Entre sonhos e penas alguém há-de voar...

Escolher, também é exercer a liberdade
escolhemos, portanto muitas vezes as algemas
e assim morremos presos ao passado, à saudade
somando sonhos perdidos, com perdidas penas

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A criação de um mundo




A criação de um mundo 9


No sétimo dia a obra foi dada por acabada.
Tinha terminado a minha primeira casa de banho
Dois meses de férias tinham passado
Seis horas
Abri a torneira
Tomei uma bem-vinda «duche»
Depois, deitei-me de novo, moralmente exausto
Adormeci
Amanhã, um novo ano lectivo me espera
Que ensinar?
O meu avô pretendia que os calos eram mais valiosos que as unhas
Mais uma espécie em vias de extinção mas, à qual alguma sociedade de protecção dos animais se irá interessar
Quando morrer o ultimo poeta, o mundo inteiro, nem cantar saberá.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A criação de um mundo





A criação de um mundo 8

Acordei sonhando. A noite fora um pesadelo. Senti-me afogar no dilúvio das torneiras esquecidas abertas, tal era a minha sede de purificação. Abandonei-me a ferocidade das ondas e não larguei o leme. Novo Ulisses, resisti a noite inteira a tentação das sereias de tão amarrado estar ao destino da obra.
Dormi e sonhei. No sexto dia, o sonho tornou possível a poesia.
Não uma poesia de palavras onde a métrica compete com a inutilidade. Não. Não uma poesia escrita para evitar que a verdade seja dita.
Sim, uma poesia simples.
Uma poesia de gestos onde o verbo segue a linha traçada pelo escopo, como arado que fere a terra para lhe dar vida.
Poesia de actos.
De sorrisos.
De esperanças.
Onde se sente atingir a plenitude, porque o gesto é conseguido e o conseguido corresponde a doação do melhor de si para o bem comum. Onde cada gesto é uma perpétua aprendizagem e cada aprendizagem, um passo no caminho da perfeição.
Aqui um chuveiro.
Além um radiador.
Um espelho.
Uma luminária.
Procurando a harmonia.
Tentando obter o belo.
Sabendo que gostos e cores não se discutem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A criação de um mundo




A criação de um mundo 7
A obra avançava; Podiam-se adivinhar desde agora os contornos do caminho do alto.
A meta aproximava-se, e com a proximidade do fim, começaram a aparecer as dúvidas.
Seriam as paredes suficientemente espessas para resistir ao assalto da ignorância?
Seriam as canalizações suficientemente resistentes para resistir a pressão da impureza?
Seria a luz suficientemente clara, para que se tornasse evidente a emancipação?
Era questão de saber e logo de ciência.
Era questão de pureza e logo de consciência.
Era questão de liberdade e logo de justiça.
No quinto dia o palácio, foi equipado com os apetrechos necessários ao seu funcionamento.
Aqui uma torneira que iria ofertar a água, além uma lâmpada para distribuir a luz.
A torneira fechada vedaria a água?
Com a humidade não haveria risco de choque eléctrico?
As dúvidas conduziam-me a perfeição do gesto e a perfeição do gesto à tranquilidade da alma. A experiência era a via do aperfeiçoamento.
No quinto dia as dúvidas apareceram e com as dúvidas nasceu a filosofia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A criação de um mundo





A criação de um mundo 6
Agora que o saber se encontrava protegido, tornava-se possível utiliza-lo.
Depois da água, veio a luz. Depois da luz, veio a segurança e com a segurança o belo tornou-se possível. Para decorar as nuas paredes, no quarto dia, foram cobertas de azulejo.
Primeiro azul para lembrar o mar onde se construi a identidade de um povo. Depois o azul misturou-se com o creme para testemunhar em arabescos geométricos da união entre os elementos. Enfim o creme sozinho para não esquecermos o leite materno e a nossa origem sociocultural.
A composição pretendia ser bela, e a beleza pretendia proclamar que inteligência e saber devem levar o humano à arte e não à perdição.
Em baixo o azul-escuro; em cima o creme claro. Tal é o caminho entre as trevas e a luz, entre o caos e a equidade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A criação de um mundo





A criação de um mundo 5
Depois da purificação e com a iluminação, impunha-se a
protecção. Seria a tomada de consciência, tal como Adão, que achou necessário cobrir-se, após ter provado a maçã da sedução ou então, a consciência de que seria necessário proteger o bem mais precioso, o saber?
No terceiro dia, começaram a sair dos abismos as paredes que se elevariam até à luz; primeiro de aço nu em homenagem a Hefaïsto, depois, esse aço foi coberto de escudos de gesso e celulose insensíveis à humidade. Diziam naquele tempo, que a água combatia o fogo, que sem fogo não havia aço, e que, enfim, havendo aço melhor fora que fugisse da ferrugem como da peste. Para agasalhar esta obra, as paredes foram guarnecidas com lã de rocha.
A partir de aí o saber pode serenar no aconchego de um palácio cuja função mais se assimilava a uma arca da aliança, sem as tábuas. Não. Nada estava escrito; mas em cada gesto havia a partir de então, o saber da experiencia.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A criação de um mundo






A criação de um mundo 4

Depois de chegada a água, tornava-se possível a reflexão. Mas, para que na superfície lisa e calma das águas pudesse cintilar a inteligência, era necessário que existisse a luz; no segundo dia, o criador desejou a luz, e a claridade apareceu. Não a luz pálida e vacilante de um círio, brilhando apenas porque se mantêm as trevas da ignorância e que a mais ligeira brisa pode afogar. Uma luz dosada, económica e alta para que todos pudessem tirar proveito.
Dosada, porque todos sabemos o quanto as estrelas rendem cego. Económica para ser acessível a todas as bolsas. Alta para que a humanidade se levante. Para que tentando realizar o sonho último, o de tocar a luz, enfim escolha o caminho do alto e nunca mais aceite andar de rastros.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A criação de um mundo





A criação de um mundo 3
A poeira havia coberto as almas. Impunha-se a purificação antes de tudo. No primeiro dia o criador desejou a água, e a água correu.
Não a agua salgada por tantas lágrimas de desespero, nem a agua gelada pela solidão; a purificação deveria obter-se com a água temperada pela esperança.
Foi necessário trazê-la de longe.
Em cobre torcido pelas labaredas de um fogo, ele mesmo purificador. Um fogo nascido da união entre um oxigénio que soprava a vida e um acetileno ardente que lhe concedia o aroma.
Subiu.
Desceu.
Virou.
Tornou a subir.
Tão as sendas da purificação eram tenebrosas.
A água aconteceu e a sede do conhecimento pode enfim ser regada.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A criação de um mundo





A criação de um mundo 2
O combate prometia ser rude. Era necessário reunir um arsenal capaz de ajudar a vencer a inexperiência do criador. Nada de ultramoderno, de tudo o que esta tão à moda, nada da famosa tecnologia guerreira que serve não para libertar as mentes mas apenas ara espoliar as gentes. Não. A criação deste novo mundo, teria como exemplo, José o Carpinteiro e as suas mais simples ferramentas.
Então, este pai, não foi com simples serrote e plaina que ensinou ao Cristo o amor pela humanidade, que o levou a subir à cruz para nos salvar?
Alguém algum dia viu São José acariciar um madeiro de ceptro e tiara?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A criação de um mundo





A criação de um mundo 1
Ao começo, o tudo, nada mais era que vazio, onde o sentido jazia inerte no abismo de um mar de trevas. Depois, esperança em um espaço-tempo luminoso e o esquecimento sem futuro tinha dado origem a uma argamassa de desespero e escuridão. A poeira da quietude havia coberto os primícias da revolta e a sujeira invadira as almas.
Mas, Deus não havia criado o homem para que se submetesse à facilidade, nem o havia dotado de inteligência, para que alguém, rei ou papa, pensasse no seu lugar. Então, seguindo o exemplo divino, tudo recomeçou.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Musas, por onde andais?

Musas, por onde andais?

A tua canção acrescento da guitarra
a voz cristalina de quem a corda encanta
presença, que alegra, como farta seara
seja a tua presença a nota que levanta

O punho e conduza à liberdade
das almas encerradas no inferno
de ti vou cultivar mera saudade
enquanto não terminar o triste inverno

Depois, talvez violetas, amores-perfeitos
mil flores de primavera a enfeitar
caminhos bem mais tortos que direitos

Conduzam um dia a encontrar
em ti musa e poeta a inspiração
para as minhas pobres letras adornar

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Juízo




Juízo

Branco gelado, cristais de geada
Ao sol canta um passarinho
Apagou-se a lareira e procura ninho

Mais um. Sem dúvida, direis
Em breve, vira cantar os reis
Frágil como avezinha. Mas de forma humana

Natal e barriga cheia. Festeja-se Jesus
Duvido que aquele que então subiu à cruz
Tenha esquecido ser filho do Carpinteiro

E na voz da agonia que canta lá fora
Há a revolta de um Cristo morto para nos salvar
Sem nenhum de nós, pronto para o imitar.

Carlos Tronco
Azé
24/12/07

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dizer Adeus





Disseste Adeus e pensei
Adeus quando eu morrer
Disseste adeus e sonhei
Te voltarei, eu, a ver?

Morrer só morro uma vez
Que Deus tenha piedade
E vidas me dê ele três
Para matar a saudade

Sonhei, foi pena, acordado
Por não conseguir dormir
Partir hoje é sem agrado

Dizer adeus é fugir
Que a morte não me apanhe
Quando de morto fingir!

sábado, 12 de dezembro de 2009

ESPERA

Já nem a lua me envolve
apenas a solidão
e há muito que não chove
são lágrimas do coração

coração tem também penas
mas nunca soube voar
e cansado com verbenas
será que pode ainda amar?

amar não é só ter sorte
escolher o bom caminho
se não for até a morte
melhor seja amar sozinho

sozinho porque estas longe
e não tenho o teu olhar
lua sabes não sou monge
necessito acariciar

dirás: isso é masturbação
sabe bem, dê onde der
torradas também são pão
sem manteiga; tu mulher

não posso ver os teus olhos
e amar o teu sorrir
recebe abraços aos molhos
tem pena, não te vás rir

é que rir por vezes mata
a troça também faz morrer
a vida tem uma data
limite para sofrer

já não sei o que dizia
esqueci-me do começo
talvez chegue esse outro dia
em que o amor não tenha preço

e juntos de braço dado
por ai em correrias
tu amada e eu honrado
aprenda o que já sabias

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mil e uma noites

um dia virei bater a tua porta
um tapete enrolado sob o braço
de oriente senhora podeis crer

este tapete vale mais que grande espaço
voante e ainda por cima é de cor

o tapete liga onde for
como o arco-íris do amor
a tua doce anca e o meu pobre braço

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cordas e amarras

A corrente, que nos amarra à terra
a corda que nos prende as velas
a terra onde cultivamos a alma
as velas que nos empurram, para o mar
fruto maduro, um dia, para enterrar
o vento que nos leva, ligeiros, a sonhar
tornando nossas vidas, belas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Lenços de papel

Se choras muito,
eu vou enviar-te um pacote de lenços
de papel .
Ouves?

Uma linda caixa cor-de-rosa,
com girassóis a enfeitar

Beijo cada lenço,
um a um
antes de enviar.

Como fazer depois, para tornar a dobrar?

Envio a caixa vazia!!!
Isto é, para quem vê com os olhos,
mas dentro irão,
com beijos, todos os meus sonhos.

E em vez de lenços de papel
para os olhos limpar
terás um pouco da minha
esperança
para
te consolar.

Carlos Tronco
Mondeville
13/02/07

sábado, 5 de dezembro de 2009

A fonte onde correm mágoas

Já não são asas que batem
Nem deuses que levam a cruz
São apenas ais sem luz
Já nem os corações partem

Tudo mudou e um dia
Começaram a crescer
Eram filhos a viver
Fonte de melancolia

Como uma ponte caída
Ou nascente ressequida
Esqueci o meu sonhar

Há caminhos e são muitos
Não levam a nenhum lugar
Se forem corridos sozinho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Palavras de chorar

Os meus beijos não são beijos
minha mão, já nem existe
minha boca só persiste
a contar coisas em vão
são palavras, pensamentos,
mas são beijos, não se dão
são apenas os tormentos
no bater de um coração
são palavras, são malditas
não se podem transformar
em carícias em amor
são palavras de chorar

19/01/07

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Canto de sereia




Livre como o vento em noite de vendaval
de fantasma lençol, como em carnaval
uiva mais que canta, imita a sereia
voz que não encanta, voz de perdição

Quando estende o braço, vazia a mão
doi o coração, é como cadeia
libre como o vento, brisa já sem ar
afoga-se de mansinho como a sonhar

Sente-se perdido, tal é a liberdade
percorre este mundo, sem qualquer vontade
fala com os muros, responde o silencio
que morde calado, sinal de fastio

Em pleno verão, sente calafrio
e os narcisos murcham, era de esperar
as flores são seres vivos
hão de se matar!

Carlos Tronco
Mondeville
14/04/06

domingo, 29 de novembro de 2009

Vulcão à beira mar




O mar nada pode, para extinguir vulcão que explode
Desses amores súbitos e vadios nascem as mais belas ilhas
Do mar azul e das lavas ardentes são as filhas
O mar não apaga, quando muito fode.

sábado, 28 de novembro de 2009

Se um dia




Se um dia já sem jeito ao abraçar
O teu peito dos meus lábios não gostar
Será tempo de partir e o castigo
Será de não mais partilhar comigo
A cor verde, o azul do verde-mar

quinta-feira, 26 de novembro de 2009




Os meus passos são pequeninos quando a distância é grande
Se fossemos passarinhos, poderíamos aprender a voar
Não passamos de gente, apenas podemos esperar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Terra




Terra,
Não Santa Terrinha
Na serra

Terra
Sim, chão para trigo
Pão e sepultura

Terra
Não lugar engraçado
Em mapa rosado

Oh terra impura...

Terra da amargura
Tu, que lavro com carinho
E fecundo..

Pão e vinho
O fruto
Da nossa guerra.

Quantas almas
Foi preciso
Sacrificar
Para o teu nome santificar?

Carlos Tronco
Mondeville
24/10/06

domingo, 22 de novembro de 2009

Pão com manteiga




Sabias que ser feliz, é muito simples
não há como sorrir, tu podes crer
eu sei quando sorris, por vezes mentes
mas sei adivinhar, mesmo sem ver

O dia esta lindo, mesmo se chove
o frio, também o vento, querem brincar
é pois o teu verbo quem comove
dizes, quero viver, não vou deitar

Apetece-me. Sim, a vontade, é quem dá força
sair, contar as gotas, dessa chuvinha
saltar nas poças de água e ser moça

Procurar pastelaria e que aproveite
pão quente com manteiga, torradinhas
e um copo de, café com leite.

Carlos Tronco
Mondeville
18/06/08

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Se tu me deres

Se tu me deres, um pouco do teu alento
Um pouco da tua graça
Dás-me pão, dás-me sustento,
E lá vou eu, pobre vento, a correr, até à praça

A dizer, com alegria
A quem passa, vai e vem
Que alguém me deu também
O que deu à Cruz Maria

Quero que saibam,
As barbas servem para isso
Os filhos que penduravam
São mais que fé, são feitiço

Vão crescendo e aprendendo
E quem tão pouco ensinou
Só a voar ajudou
Bater asas sozinho

Depois de árvore plantar
Dos meus filhos - mas não só - criar
Depois de algumas páginas escrever

Chega o momento fatal
Em que acorda o animal
Que nasceu para vencer

Se tu me deres
O sorriso dos teus lábios
Não preciso de mais fados
Nem do amor de outras mulheres.