Chocalhos
Estes, são de cabra e ovelha do pais basco
Este é de Chaves,
este é daqui perto,
quando formos de peregrinação a Saint-Michel levo-te lá,
fabricam sinos enormes, de modo tradicional, sem mudanças desde a idade media
recentemente fundiram os sinos de Notre-Dame de Paris
o maior pesa 16 toneladas.
O meu preferido é o mais simples,
o da cabra,
é lindo,
feito apenas numa chapa de cobre e soldado a estanho.
São os meus feitiços,
de descendente de pastores.
Porque não voltamos os dois aos nossos 18 anos Maria?
Acho que ainda não era caturro
ou então só um pedacinho,
sabes,
adoro acordar com a musica dos chocalhos,
de madrugada quando o gado vai a lama,
de quando em quando, um cão ladra,
o pastor canta,
Deus permite,
os lobos sonham,
a terra gira,
as estrelas choram,
e tu adormeces em silencio.
Será que sentes na tua pele,
o sopro da minha timidez,
o calor dos meus sonhos,
a musica dos meus guizos,
o sono,
simplesmente o sono merecido,
e adormeces sabendo que te quero bem?
Estrelas há muitas,
mas só o teu sorriso,
ilumina a minha solidão.
Escrevi monte de coisas
e só agora dei conta
que escrevia fora do quadro:
melhor assim,
gosto de ti serena e sorridente como neste momento.
Dormimos juntos hoje?
Já dormias?
Noite feliz...
Carlos Tronco
Acrescentar à letra cor, partilhar da alma o etéreo, mostrar da mão os calos, caminhar, ao lado, em silêncio.
domingo, 9 de março de 2014
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Regar enquanto o sol boceja
Fazer render o peixe,
não vá ficar a zero,
com a criança nos braços.
Ficar em vinhas de alho,
gota a gota, gostar de queijo,
como gato do borralho.
Ir à bola com alguém,
bugiar, sem ter o vento na popa
agua abaixo, isto é uma república?
Ou será portal de quinta...
Cigano, judeu errante,
lambo os dedos,
lançam-me a fera
aqueles de lata estanhada.
Eu que fui lavado a lágrimas,
levanto-me com o sol,
para te levantar do pó.
Limpai o rabo a parede,
eu junto-me a malta da corda,
sem ter de me mandar ao ar.
Matar o tempo é crime,
meter medo ao susto também,
digo como testamento:
morrer até morre o vento
e o parto é sempre difícil.
Carlos Tronco
...le cours d'aujourd'hui est, mécanique des milieux continus solides, tenseur des contraintes longitudinales dans une poutre soumise au doute...
Fazer render o peixe,
não vá ficar a zero,
com a criança nos braços.
Ficar em vinhas de alho,
gota a gota, gostar de queijo,
como gato do borralho.
Ir à bola com alguém,
bugiar, sem ter o vento na popa
agua abaixo, isto é uma república?
Ou será portal de quinta...
Cigano, judeu errante,
lambo os dedos,
lançam-me a fera
aqueles de lata estanhada.
Eu que fui lavado a lágrimas,
levanto-me com o sol,
para te levantar do pó.
Limpai o rabo a parede,
eu junto-me a malta da corda,
sem ter de me mandar ao ar.
Matar o tempo é crime,
meter medo ao susto também,
digo como testamento:
morrer até morre o vento
e o parto é sempre difícil.
Carlos Tronco
...le cours d'aujourd'hui est, mécanique des milieux continus solides, tenseur des contraintes longitudinales dans une poutre soumise au doute...
sábado, 2 de novembro de 2013
Crepúsculo
Esse momento magico,
em que se abrem as portas da prisão
para apenas existirem os braços
que nos doaram asas
as asas do voo
o voo da liberdade
então perguntarei:
-Queres caminhar comigo até ao fim do mundo?
Não te prometerei vida fácil
nem riqueza nem renome
apenas te beijarei a nuca quando o sol raiar
e sussurrarei ao ouvido
vamos, ainda há caminho.
Acredito que no fim do mundo
as estrelas desçam sobre a terra
e seja possível colhe-las
como cerejas
colher estrelas como quem colhe esperanças
para iluminar os nossos passos para diminuir os nossos medos
para nos tornarmos felizes
e eu a chorar
feito parvo,
porque estas longe.
Esse momento magico,
em que se abrem as portas da prisão
para apenas existirem os braços
que nos doaram asas
as asas do voo
o voo da liberdade
então perguntarei:
-Queres caminhar comigo até ao fim do mundo?
Não te prometerei vida fácil
nem riqueza nem renome
apenas te beijarei a nuca quando o sol raiar
e sussurrarei ao ouvido
vamos, ainda há caminho.
Acredito que no fim do mundo
as estrelas desçam sobre a terra
e seja possível colhe-las
como cerejas
colher estrelas como quem colhe esperanças
para iluminar os nossos passos para diminuir os nossos medos
para nos tornarmos felizes
e eu a chorar
feito parvo,
porque estas longe.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Sentei-me
no paredão. Areia havia. Parecia um convite a aproximar-me da imensidão do mar.
Ao longe passeavam almas. O passeio dos tristes. Pareciam procurar na imensidão
da praia, alguma fronteira para conter a própria solidão.
Quisera
que estivesses comigo. Contar uma a uma as ondas deste mar. Talvez ondas que ja
foram tuas. O mar é livre. Sabias? Tanto bate aqui como se retira além. As
gaivotas voam, como encantadas pela crista das ondas.
Dizem
que o mar é profundo. Procurei desesperadamente o barco que me levasse mais
além. Mais profundos são os sonhos. O vento não parou. Não tomou o tempo de me
escutar. Então, escrevi para poder sussurrar ao teu ouvido, o quanto dói,
quando até o mar se retira: a solidão é bem mais profunda que o mar.
Carlos
Tronco
Ouistreham
15/06/13
terça-feira, 28 de maio de 2013
Escrever um livro
é dar um passo. É dar um passo em frente o que permite avançar, mesmo além das
dificuldades.
Publiquei um primeiro
livro em Março de 2006, autor desconhecido foi um fracasso.
Um primeiro livro
na minha língua materna. Na língua das minhas saudades. O tempo, ele passa.
A experiência
acontece e as quedas doem. Um livro é por vezes uma simples transição; o que hoje
vos apresento é muito simples, apenas trinta poemas, nas páginas pares em
português, nas páginas ímpares o mesmo texto em francês. A primeira dizia eu
era a língua da saudade, a segunda, a língua dos sonhos, da esperança. Lingua
da sobrevivência. Língua do combate dia a dia, contra o desistir, contra o
desespero.
Porquê somente 30
textos?
Porque se trata
de um convite, um convite a descobrir, um convite a partilhar. Está pronto a
ser imprimido, um livro, com um pouco mais de 200 poemas em francês.
Está pronto o
livro, mas não estou pronto eu!
Este ensaio surge
como a subscrição para avaliar o número potencial de futuros leitores e
publicar em consonância.
Espero que
gostem.
Este meu novo
trabalho chama-se: “Les orangers fleurissent en hiver”.
Para qualquer
informação ou encomenda, contactem-me por e-mail:
carlos.tronco@gmail.com
O porte é pago
pelo editor.
Desde ja, o meu
muito obrigado.
Carlos Tronco
quinta-feira, 14 de março de 2013
As estrelas também ardem
Depois de mil combates,
depois de mil ferimentos,
eu sou aquele que pode ainda lutar
contra moinhos a vento,
mas que fracassa,
a maior parte das vezes,
no combate contra si mesmo.
O vinho é tinto maduro;
Mesmo assim o Cristo não me ajuda.
Os erros foram muitos.
Mas,
cada um deles,
participou na construção
do que sou hoje.
Quando cai a noite,
quando as estrelas brilham,
só os sonhos impossíveis
permitem alguma esperança
e o teu sorriso, cigana
é mais forte que a minha cobardia.
Carlos Tronco
Atlântico norte
12/03/13
Depois de mil combates,
depois de mil ferimentos,
eu sou aquele que pode ainda lutar
contra moinhos a vento,
mas que fracassa,
a maior parte das vezes,
no combate contra si mesmo.
O vinho é tinto maduro;
Mesmo assim o Cristo não me ajuda.
Os erros foram muitos.
Mas,
cada um deles,
participou na construção
do que sou hoje.
Quando cai a noite,
quando as estrelas brilham,
só os sonhos impossíveis
permitem alguma esperança
e o teu sorriso, cigana
é mais forte que a minha cobardia.
Carlos Tronco
Atlântico norte
12/03/13
-Queres um colinho?
-Quero,
é como no escano,
queimam-se os pés
e gelam-se as nádegas...
-Não é bem assim.
-Esta bem então.
-Por onde te pego?
a tua cara que repousa no meu ombro,
os teus braços a volta do meu pescoço?
o teu peito contra o meu peito
e ao teu ouvido cantaria
provavelmente...
levava-te ao teu leito,
beijinho na testa,
apagava a luz,
e ia por ai fora por caminhos desconhecidos,
até ao topo da serra
para poderes dormir feliz.
Talvez alguma onda me levasse...
-Não apanhes frio!
Nus, um contra o outro,
o termo dinamismo funcionaria melhor
sentir a tua pele, o teu calor, as tuas reacções
fechava os olhos, para não te tornares tímida
para melhor te sentir
nunca te tive sentada
no meu colo
de olhos fechados,
para poder responder sem mentir
se abrisse os olhos tu ias rir muito,
acharias que batotava
nunca jogaste à batota?
Como te sentes assim nua,
sentada no meu colo?
As tuas delgadas pernas a volta da minha cintura?
Uma manta seria necessária?
Se no teu quarto se fosse autorizado a entrar?
Senão, no sofá.
Cuidado com a pele do teu pescoço,
não me barbeei hoje
teria de tocar levezinho, só com a ponta dos lábios
tão leve, quão é pesada a distância
Os teus longos dedos,
palmilhando as costas vergadas
pelo medo de não saber dizer
o teu calor invade
a minha alma.
Sabes o que é a esperança?
Sabes o sabor de um beijo sonhado?
Adormece se te sentes bem.
Acorda se assim o desejas
Ama-me se o teu ser o permite
Abraça-me
porque um abraço sincero nunca matou ninguém
gostas de estar assim abraçadinha a mim?
ter-me por companhia
junto com o frio
deste fim de inverno
desta fim de tarde
de um fim de vida
quem sabe...
não devia prometer se fosse bem comportado
não ousarias dar-me a mão
quando me viesses buscar ao barco?
-As comadres podiam falar?
-Ai!
Uma bofetada só porque tentei pegar-te na mão?
Meio isolado
machista
a vida dos outros como ocupação
não deve ser fácil, ser mulher, responsável, chefe
não gostando de sobressair, nem ser alvo das atenções...
e solteira
todos os dias
Sabes
um carinho é um carinho
e meu colinho de vez em quando
não te fazia mal nenhum.
Carlos Tronco
São Jorge
09/03/13
sexta-feira, 1 de março de 2013
Fado de meias tábuas
Pinheiro, vou-te cortar
E levar-te junto ao mar
Pois tábuas quero fazer.
Construirei um caixão
Onde não quero, perdão
Morar, mesmo se morrer.
Se ele da para enterrar
Dará, para ir ao mar
As sereias conhecer.
Com um mastro e uma vela
Será a nau a mais bela
E assim te convencer.
Claro, não sei navegar
Para quem tem voz, cantar
É a única solução.
Se não for fado é lamento
Mesmo a lutar contra o vento
Será a nau da paixão.
Com três tábuas navegar
E o vento a colaborar
Se um dia avistar terra,
Digo, abraça-me cheguei
Vim sem coroa, não sou rei
Peito nu, não quero guerra.
Trago apenas o coração
E se tu me deres a mão
Daremos voltas ao mundo.
Daqui para a frente andar,
Primeiro há que serrar
O madeiro: o mar é fundo.
Um dia chegado à praia
Perguntar-te-ei catraia:
-Lembras-te do que prometi?
Os anos já foram muitos
Uns perdidos outros juntos
Mas sempre gostei de ti.
Carlos Tronco
Vendôme
01/03/13
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Por onde me levas
Dás a conhecer
Um mundo sem trevas
Não vás a correr
Tu levas contigo
A parte de mim
Que já não consigo
Levar; é assim
O peso dos sonhos
Mesmo em poesia
São pesos medonhos
Quando a noite é fria
Eu levo comigo, um banco de estar
E tu ao meu lado
Enquanto eu sonhar
O presente dado
Carlos Tronco
Honfleur
19/02/13
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Trevas
vai
sonha
descobre-te
não perguntes
ao espelho por onde vais
não lhe perguntes quem és
vive
a felicidade esta nas tuas mãos
pena eu não saber cantar
fora rouxinol
e a noite avança
e o frio fere
e na solidão das trevas
com o medo da noite
vem o fantasma do fracasso
para que serve escrever
se ninguem lê
a noite avança
e não consigo dormir
Carlos Tronco
Granville
15/02/13
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Dá-me a tua mão
dá-me a tua mão
para que leia a nossa sina
que me perca na tua linha da vida
que apertes a minha alma perdida
que sinta a felicidade
desabrochar entre os teus dedos
enfim,
apertar não,
que ainda te sufoco
mas posso tentar compreender-te
de alma e coração
dá-me a tua mão
os mesmo dedos com que acaricias
o teu mais profundo sonho
e sorris
quando adormece a tarde
para espreitarem a estrelas
e choras quando a lua se esquece
de aparecer por trás das nuvens
Poemas a quatro mãos
Carlos Tronco
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Vem sentar-te comigo
Para ti desenharei
Um banco simples
De carpinteiro,
Que farei em castanho,
De um souto transmontano.
Procuraremos juntos a sombra
Consoladora
Das mais frondosas arvores,
Onde cantarão
Os mais subtis rouxinóis.
Quando caírem com o inverno
As últimas folhas, as primeiras geadas
Aqui,
Continuaremos além,
A procurar a felicidade, pois,
Este banco dos sonhos, é de levar.
Enfim, quando for demasiado velho,
Para caminhar a teu lado,
Posso servir ainda,
Para ser o teu banco de esperança
E assim,
O nosso banco dos desejos
Dará volta ao mundo.
Carlos Tronco
Evrecy
28/01/13
sábado, 26 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Adeus disse
Chegamos a um cruzamento
Nos caminhos da vida
E temos de decidir
Quais pegadas apagar
Para que possamos continuar juntos.
Não te menti até aqui.
Se não te contei tudo,
Foi para não mentir.
O homem tem tendência a enaltecer
O que viveu.
Por isso não disse tudo
E talvez, até tenha esquecido
O que não foi dito.
Assim pensava,
Caminhando só
E sonhando
No que te pudera dizer
Se te tivesse encontrado,
Enquanto era vivo.
Carlos Tronco
Granville
08/01/13
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Conselho de um pastor ao seu rebanho
Cordeiro - disse um dia o pastor - segues-me
Aonde eu for
E se cair na marmita
Faz-me um grande favor
Deixa de ser ruminante
Caldeirada é coisa boa
Para o gado e a pessoa
Só assim compreenderas
As tretas meu bom rapaz
E tudo o que anda por trás.
Carlos Tronco
Granville
08/01/13
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
Coroas prateadas
Que cor dar ao tempo
Que passa e não cansa?
É cinzento,
Ou prateado?
Negro ou desguedelhado?
Caracóis feitos de letras
De rimas, entrelaçados
Nos versos suspensos ao tempo
Uns caracóis entornados
Cabelos lisos de tanto crescer
Em volta da esperança
De nunca branquear.
Carlos Tronco
Granville
08/01/13
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
A culpa
A culpa não é minha
O campo ardia
E a chama tinha
Algo
Comparado à poesia
Deixei-me consumir
Até na aguardente me deitei
A culpa não é minha
Nem sequer do rei
Que mataram
Assim
Já não come
A culpa não é minha
Mas em cada arvore que queimais
Algo na minha alma
Adormece
Como um jardim de cravos
Onde agora
Só florescem calhaus
Carlos Tronco
Granville
7/01/13
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