terça-feira, 28 de maio de 2013

Escrever um livro é dar um passo. É dar um passo em frente o que permite avançar, mesmo além das dificuldades.
Publiquei um primeiro livro em Março de 2006, autor desconhecido foi um fracasso.
Um primeiro livro na minha língua materna. Na língua das minhas saudades. O tempo, ele passa.
A experiência acontece e as quedas doem. Um livro é por vezes uma simples transição; o que hoje vos apresento é muito simples, apenas trinta poemas, nas páginas pares em português, nas páginas ímpares o mesmo texto em francês. A primeira dizia eu era a língua da saudade, a segunda, a língua dos sonhos, da esperança. Lingua da sobrevivência. Língua do combate dia a dia, contra o desistir, contra o desespero.
Porquê somente 30 textos?
Porque se trata de um convite, um convite a descobrir, um convite a partilhar. Está pronto a ser imprimido, um livro, com um pouco mais de 200 poemas em francês.
Está pronto o livro, mas não estou pronto eu!
Este ensaio surge como a subscrição para avaliar o número potencial de futuros leitores e publicar em consonância.
Espero que gostem.
Este meu novo trabalho chama-se: “Les orangers fleurissent en hiver”.
Para qualquer informação ou encomenda, contactem-me por e-mail:
     carlos.tronco@gmail.com
O porte é pago pelo editor.

Desde ja, o meu muito obrigado.

Carlos Tronco

quinta-feira, 14 de março de 2013

As estrelas também ardem

Depois de mil combates, 
depois de mil ferimentos, 
eu sou aquele que pode ainda lutar 
contra moinhos a vento, 
mas que fracassa,
a maior parte das vezes,
no combate contra si mesmo.
O vinho é tinto maduro;
Mesmo assim o Cristo não me ajuda.
Os erros foram muitos.
Mas,
cada um deles,
participou na construção
do que sou hoje.
Quando cai a noite,
quando as estrelas brilham,
só os sonhos impossíveis
permitem alguma esperança
e o teu sorriso, cigana
é mais forte que a minha cobardia.

Carlos Tronco
Atlântico norte
12/03/13



-Queres um colinho?



-Quero,

é como no escano, 

queimam-se os pés 
e gelam-se as nádegas...

-Não é bem assim.
-Esta bem então.

-Por onde te pego?
a tua cara que repousa no meu ombro,
os teus braços a volta do meu pescoço?
o teu peito contra o meu peito
e ao teu ouvido cantaria
provavelmente...
levava-te ao teu leito,
beijinho na testa,
apagava a luz,

e ia por ai fora por caminhos desconhecidos, 
até ao topo da serra
para poderes dormir feliz.

Talvez alguma onda me levasse...
-Não apanhes frio!

Nus, um contra o outro, 
o termo dinamismo funcionaria melhor
sentir a tua pele, o teu calor, as tuas reacções
fechava os olhos, para não te tornares tímida
para melhor te sentir
nunca te tive sentada 
no meu colo 
de olhos fechados,
para poder responder sem mentir
se abrisse os olhos tu ias rir muito, 
acharias que batotava
nunca jogaste à batota?

Como te sentes assim nua, 
sentada no meu colo?
As tuas delgadas pernas a volta da minha cintura?
Uma manta seria necessária?
Se no teu quarto se fosse autorizado a entrar?
Senão, no sofá.
Cuidado com a pele do teu pescoço, 
não me barbeei hoje
teria de tocar levezinho, só com a ponta dos lábios
tão leve, quão é pesada a distância
Os teus longos dedos, 
palmilhando as costas vergadas
pelo medo de não saber dizer
o teu calor invade
a minha alma.
Sabes o que é a esperança?
Sabes o sabor de um beijo sonhado?
Adormece se te sentes bem.
Acorda se assim o desejas
Ama-me se o teu ser o permite
Abraça-me
porque um abraço sincero nunca matou ninguém
gostas de estar assim abraçadinha a mim?
ter-me por companhia
junto com o frio
deste fim de inverno
desta fim de tarde
de um fim de vida
quem sabe...

não devia prometer se fosse bem comportado
não ousarias dar-me a mão 
quando me viesses buscar ao barco?

-As comadres podiam falar?

-Ai!
Uma bofetada só porque tentei pegar-te na mão?
Meio isolado
machista
a vida dos outros como ocupação
não deve ser fácil, ser mulher, responsável, chefe
não gostando de sobressair, nem ser alvo das atenções...
e solteira 
todos os dias
Sabes
um carinho é um carinho
e meu colinho de vez em quando 
não te fazia mal nenhum.

Carlos Tronco
São Jorge
09/03/13


sexta-feira, 1 de março de 2013


Fado de meias tábuas

Pinheiro, vou-te cortar
E levar-te junto ao mar
Pois tábuas quero fazer.
Construirei um caixão
Onde não quero, perdão
Morar, mesmo se morrer.

Se ele da para enterrar
Dará, para ir ao mar
As sereias conhecer.
Com um mastro e uma vela
Será a nau a mais bela
E assim te convencer.

Claro, não sei navegar
Para quem tem voz, cantar
É a única solução.
Se não for fado é lamento
Mesmo a lutar contra o vento
Será a nau da paixão.

Com três tábuas navegar
E o vento a colaborar
Se um dia avistar terra,
Digo, abraça-me cheguei
Vim sem coroa, não sou rei
Peito nu, não quero guerra.

Trago apenas o coração
E se tu me deres a mão
Daremos voltas ao mundo.
Daqui para a frente andar,
Primeiro há que serrar
O madeiro: o mar é fundo.

Um dia chegado à praia
Perguntar-te-ei catraia:
-Lembras-te do que prometi?
Os anos já foram muitos
Uns perdidos outros juntos
Mas sempre gostei de ti.

Carlos Tronco
Vendôme
01/03/13


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Banco vadio

Por onde me levas
Dás a conhecer
Um mundo sem trevas
Não vás a correr

Tu levas contigo
A parte de mim
Que já não consigo
Levar; é assim

O peso dos sonhos
Mesmo em poesia
São pesos medonhos
Quando a noite é fria

Eu levo comigo, um banco de estar
E tu ao meu lado
Enquanto eu sonhar
O presente dado

Carlos Tronco
Honfleur
19/02/13


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013




Trevas

vai
sonha
descobre-te
não perguntes
ao espelho por onde vais
não lhe perguntes quem és
vive
a felicidade esta nas tuas mãos
pena eu não saber cantar
fora  rouxinol
e a noite avança
e o frio fere
e na solidão das trevas
com o medo da noite
vem o fantasma do fracasso

para que serve escrever
se ninguem lê
a noite avança
e não consigo dormir

Carlos  Tronco
Granville
15/02/13

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Dá-me a tua mão

dá-me a tua mão
para que leia a nossa sina
que me perca na tua linha da vida
que apertes a minha alma perdida
que sinta a felicidade
desabrochar entre os teus dedos
enfim,

apertar não,
que ainda te sufoco
mas posso tentar compreender-te
de alma e coração
dá-me a tua mão
os mesmo dedos com que acaricias
o teu mais profundo sonho
e sorris
quando adormece a tarde
para espreitarem a estrelas
 
e choras quando a lua se esquece
 
de aparecer por trás das nuvens


Poemas a quatro mãos

Carlos Tronco

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013




Vem sentar-te comigo


Para ti desenharei
Um banco simples
De carpinteiro,
Que farei em castanho,
De um souto transmontano.

Procuraremos juntos a sombra
Consoladora
Das mais frondosas arvores,
Onde cantarão
Os mais subtis rouxinóis.

Quando caírem com o inverno
As últimas folhas, as primeiras geadas
Aqui,
Continuaremos além,
A procurar a felicidade, pois,
Este banco dos sonhos, é de levar.

Enfim, quando for demasiado velho,
Para caminhar a teu lado,
Posso servir ainda,
Para ser o teu banco de esperança
E assim,
O nosso banco dos desejos
Dará volta ao mundo.

Carlos Tronco
Evrecy
28/01/13

sábado, 26 de janeiro de 2013




Razão ou sentimento?

Sempre te disse que não fosses,
Que ficasses
E não ouviste.
Calei-me.
O tempo passou.
Agora 
Subsiste 
O silêncio
E somos apenas dois.

Carlos Tronco
Granville
08/01/13

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013



Adeus disse

Chegamos a um cruzamento
Nos caminhos da vida
E temos de decidir
Quais pegadas apagar
Para que possamos continuar juntos.
Não te menti até aqui.
Se não te contei tudo,
Foi para não mentir.
O homem tem tendência a enaltecer
O que viveu.
Por isso não disse tudo
E talvez, até tenha esquecido 
O que não foi dito.
Assim pensava,
Caminhando só
E sonhando
No que te pudera dizer
Se te tivesse encontrado,
Enquanto era vivo.

Carlos Tronco
Granville
08/01/13


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013




Conselho de um pastor ao seu rebanho

Cordeiro - disse um dia o pastor - segues-me 
Aonde eu for
E se cair na marmita
Faz-me um grande favor
Deixa de ser ruminante
Caldeirada é coisa boa
Para o gado e a pessoa
Só assim compreenderas
As tretas meu bom rapaz
E tudo o que anda por trás.

Carlos Tronco
Granville
08/01/13

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013





Dança?

Um pé que quer
Avançar.
O outro,
Quer recordar
E nesta teimosia sapateada
Nasce a dança do futuro.

As solas, para fazer rir,
Mostram por baixo
Um furo:
É por ali que se escapa
A vontade desenfreada
De dançar
Com o marido ou o vizinho
Um vira ou corridinho.


Carlos Tronco
Grainville
08/01/13

sábado, 19 de janeiro de 2013



Coroas prateadas

Que cor dar ao tempo
Que passa e não cansa?
É cinzento,
Ou prateado?
Negro ou desguedelhado?

Caracóis feitos de letras
De rimas, entrelaçados
Nos versos suspensos ao tempo
Uns caracóis entornados

Cabelos lisos de tanto crescer
Em volta da esperança
De nunca branquear.

Carlos Tronco
Granville
08/01/13

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013





Bodas em tempos

Namoro
Feliz e belo
Mas
Haveis de reparar
Enquanto a noiva dançava
O tempo passava
O tempo passava.

Carlos Tronco
Granville
08/01/13

terça-feira, 15 de janeiro de 2013




Batukes

O compasso
Marcava a distância
Entre o círculo da dança
E a impossibilidade de te amar
Pois
As notas de música
Deviam ser quase mudas
Para poder rodopiar
Entre a seda do teu vestido
E o negro da minha pele

Carlos Tronco
Granville
08/01/13

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013




A culpa

A culpa não é minha
O campo ardia
E a chama tinha
Algo
Comparado à poesia

Deixei-me consumir
Até na aguardente me deitei
A culpa não é minha
Nem sequer do rei
Que mataram
Assim 
Já não come
A culpa não é minha
Mas em cada arvore que queimais
Algo na minha alma
Adormece
Como um jardim de cravos
Onde agora
Só florescem calhaus

Carlos Tronco
Granville
7/01/13

sábado, 12 de janeiro de 2013



-Quem manda?
-Deus!
-Bebe?
-Não.
---é porque não trabalha.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Tantas janelas
abertas
e eu cego

não posso olhar

-Porque não saltas?

-Não quero aprendera voar!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013



Fogos de palha
vermelho canalha
negro o teu amor

as achas de lenha
que dão tanta pena
entretêm a dor

fogos de palha
intensos mas breves
a mim não me calha

o meu coração
vai perdendo a mão
e tu não percebes

Carlos Tronco

sábado, 5 de janeiro de 2013


Músicas actuais

Mas
Será que a música é temporal
Ou que o tempo depende
De época
Se com o tempo a musica
Acelera
Até que
Considere a música
Como passatempo
Paremos!
Na pauta
As notas perdem o equilíbrio
Lá em cima
As mais agudas
Caem primeiro
E torna-se grave
Este campo
De ruínas musical
Onde o silêncio
Lembra que
Para tocar
Não se pode ter dó

Carlos Tronco
Evrecy
03/12/12

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Porquê?

Porquê
Uma maçã
É pecado
Quando pêra
Apenas fruto?
Porque tão
Estranho recado?
É de perder o juízo
Pergunto,
Porque não sei
O porquê do paraíso
Má costela, a de Adão
Má acção a gulodice
A história não vale tostão
Vale menos
Tudo o que eu disse
Eva comeu a maçã
Adão ele,
Ficou com fome
E assim até fé some
Somos todos pecadores
Vivam pois os meus amores,
Mas porquê,
A tal maçã?

Carlos Tronco

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


Onde estas peito que dói?

Dói-me o ar que me arde o peito,
ar, onde voam andorinhas,
que vão, e voltam de longe,
que trazem saudades minhas,
dói-me o peito, dói-me a vida
dói-me o ar que respirar
e tu a rires rapariga,
puderas te apaixonar,
não sei se dói, se eu sonho,
também não, se é ar ou céu,
dói-me já tanto voar,
já nem sei se o peito é meu

carlos tronco
03/01/13
Aqui
-Vamos!
Tínhamos chegado junto ao mar havia muitas luas. 
Ao contrario do que tinha prometido o oráculo, o mar não se tinha afastado e ali tínhamos esperado.
Nos albornozes, já quase não havia letras, que queimar.
Tinhas-me perguntado:
-Porquê? Deus não existe?
-Deus não sei, mas as estrelas são reais. Vê como brilham nas tuas lágrimas. Se o mar não se aparta, há que vencer o mar! Dizem, que do outro lado do mundo, um povo construía pontes. Restam ainda, algumas letras...
-Façamos frases, digamos versos...e rápido alcançaremos o além, o outro lado do longe.
-Mas pontes com letras de amor...?
-Sim, quando o verso é belo, tudo é possível.
-Mas querido, a lua, as tempestades...
-Sim, talvez seja necessário reconstrui-las...
-Lembra-te de Babel!
-Sim, mas não se entendiam!
-Então?
-Façamos, depois veremos...
-Eu ainda tenho um P.
-Eu um B!
-Meu Deus...!
-Eu tenho um O.
-Vamos!
-Sim Amor.

Carlos Tronco
Quando se acrescenta à letra cor
Evrecy
26/11/12

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


Swing

Ligeiro
Como uma nota de música
Que apenas se escapa
e logo explode
Tal uma bolinha de sabão
Como se necessário fosse
Morrer primeiro
Para se tornar eterno
Num derradeiro swing.
Música maestro!

Carlos Tronco
Evrecy
29/11/12

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


Diz-me

Cigana diz-me
Que sina,
Me consome,
Que paixão
Me há-de levar pela mão,
Diz-me cigana
Não mintas,
Sou tábua
Hei-de ir ao mar,
As ondas altas que sintas,
Diz-me onde
Me hão-de levar.

Carlos Tronco
Evrecy
26/11/12

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

e porque esperar que o ano acabe para ser feliz? se vos apetece uma pinga , não espereis as doze badaladas, a não ser que quereis comer uma abóbora. se desejais um beijo, sorri, um abraço, dai-o, e a tradição? que se foda! a verdadeira revolução, esta em partilhar, a chama que há tantos anos levais apagada no fundo do peito com medo de vos queimardes e assim ninguém nunca soube porque ardeis. içai as velas, vento haverá sempre e nem os ruminantes no governo o podem confiscar. gritai se o peito é demasiado pequeno para conter a esperança. cantai se a garganta dói demais para ter paciência. não espereis a nova madrugada. é ao crepúsculo que o sol adormece e a luz da esperança morre. e se eu morrer primeiro, bebei a minha saúde.

domingo, 30 de dezembro de 2012


Carpinteiro

Um lápis pontiagudo
Afiado
Carvão tipo bicudo.
Vadio.
Coçando a folha vazia,
Deixando o traço sebento,
No papel, logo cinzento.
Um lápis de carpinteiro
Um poeta sorrateiro
Desenha com letras, historias
Formas e também tretas
Testemunho
Pedragulho: carvão.
Um lápis,
Que pelo sim pelo não
Deixa perdido em papel
Traços de vida
De fel
E assim vai aprendendo
Quanto na vida é tremendo
Não saber
O que escrever.

Carlos Tronco
Ste Honorine du Fay
01/12/12

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Uma tábua

Ter uma tábua
Já é poder sonhar
Basta deita-la à água
Já se poder navegar
De um lenço faz-se a vela
E em vez de acenar
Deixa-se o vento beija-la
Da tábua faz-se um navio
A vela põe-se a ondular
Vinde ver a barca a vela
Vinde comigo
Acordar.

Carlos Tronco
Caen
26/11/12

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Navio

Onde vais mar de navio
Com velas tão delicadas
Sabes as ondas salgadas
Sabes quanto só e frio
Andar por terras sagradas
Como anda o teu vapor?
Sabes mar quanto é profundo?
Nada aprender neste mundo
Ser barco
E não saber remar.

Carlos Tronco
Carlos
20/12/12

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Além

Procuro além
Junto ao estreito horizonte
Onde se refugiam os
Meus olhos
Onde a esperança
Quer ser ponte
Entre
O que foi
E o futuro
Entre o vivido
E o sonhado
Ponte
Arco-íris
E de cor
Se cor tem
O crepúsculo
Se cor tem
É já noite
E se o cinzento também é cor
Se a chuva também lava
Se a lágrima também absolve
Se a pobreza se perdoa
Se a incerteza...
Não sei.
A noite ela cai!
O frio tão branco
A corda, nem tanto
Aperta, aperta, aperta
No desespero, na confusão
As pernas tremem
As mãos imploram
A noite cai.
Procuro e não vejo
Procuro e não sinto
E a noite cai.

Carlos Tronco
Caen
20/11/12

domingo, 23 de dezembro de 2012


Pena não voar

-Asas que não sejam penas!
Asas,
Para quê?
Se o infinito acaba
Onde termina a vida.

Carlos Tronco
Caen
20-11-12

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Tinto

Um litro
Entre a esperança e o desespero
Sangue de um Cristo
Ou sangue de nós
Um banco
Onde esperava
Que o pesadelo,
Passasse
Mas, quem gritava?
Dói tanto a voz!

Carlos Tronco
Evrecy
22/11/12

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


Prisão

Quando voar se torna grades
Preso, um pássaro, fora do seu ninho
Olhar triste, que verdades
Ver um céu, um sem destino
Preso por algemas não soldadas
Ao tempo, preso à terra, preso ao vento
Contar ao rouxinol palavras dadas
Temer não cantar, mas trair o pensamento.

Carlos Tronco
Evrecy
15/11/12

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


Madrugadas de insónia

A noite caía
Húmida, fria
Como cai a noite.
Sombria.
Os teus olhos negros
Que junto à lareira brilhavam,
eram o meu aconchego.
Sonhavam,
Ou melhor,
Permitiam-me
Esperar
Que depois da noite,
Que depois do frio,
O meu olhar,
Te poderia acariciar.
Tchin, tchin...!
Alegria!
Lá fora tocava
Num saxo tenor
Um blues perdido.
-Danças?
Troquemos os passos
Da vida;
O madeiro arde.
A vodca Zubrovska
Corre.
Depois o vidro vazio
Brilha
Tequila também já não há.
Nem cigarros
Nem fumo...
Danças?
E se a noite finda?
E se o amor é pouco?
E se a esperança é apenas sonho?
Lábios colados ao espelho
Digo:
(não digo, grito)
E se não me amas?
E se sou apenas louco?
Quanto mais não ganhar,
Valeu o teu sorriso maroto.
Não é fácil provocar um sorriso
Terno, nos teus lábios, mulher.
Foram tantas
Tantas as que vi chorar.
-Amas-me?
Ao espelho,
De madrugada,
Pergunto:
Quem és?
O lado da luz
Que eu nunca fui?
A minha chama, o meu tormento?
Quem és?
E eu, existo?
O sol já chegou.
A noite já foi.
Tu já nada mais és que saudade.
Eu já não sou mais que amizade.
Quem serias,
Se a noite fosse eterna?
Quem serias se eu conseguisse sonhar?

Carlos Tronco
20/11/12
Evrecy

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Abandono


Quando os meus braços caírem
e o teu espaço seja apenas infinito,
que nos sobrará, ainda, por abraçar?

Um sorriso?
Talvez!
Mas de um velho inútil,
já ultrapassado pela derradeira esperança.
Sorrirás sim,
mas da minha pequenez,

por não ter sabido encontrar
os versos que te fariam
sorrir,
desde hoje.

carlos tronco
Baron sur odon
24/11/12

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Verdes são os campos

A ponta de um corno como bandeira
à beira mar plantada e no campo trigo
pobre, um lavrador, sem eira nem beira
tendo por morgado o único inimigo

pobre porque? será pobre a esperança?
ser feliz um sonho, aos filhos dar abrigo
pede trabalho, mais do que vingança
nos calos as letras, cantarei  contigo

mudo, cantarei a liberdade para ti
cantarei amor que me desconheces
o cantar são armas que a um deus pedi

a ponta de um corno, o que nos deixaram
mas guardei semente, plantarei ali
se nascerem cravos, florirão o chão

Carlos Tronco

sábado, 27 de outubro de 2012


Um lenço; sem dizer adeus

com a idade perde-se a precisão do gesto
as palavras já não acariciam, magoam
a voz treme, as cordas vocais destoam
perde-se a compostura, a esperança e tudo o resto

era necessário, poder dizer-lho ao ouvido
de quem foi outrora tropical, o sopro quente,
um murmúrio largo e talvez comprido
que a faria rir, ficava eu contente

sonho impossível, humano não é divino
milagres das rosas, não havia pão
chovia, baldes de agua, eu sonhava vinho

nem copo , garrafa, nada tinha à mão
letras eram poucas, pouco sei dizer
sê feliz mulher, eis o meu sermão

Carlos Tronco
Ifs
26/10/12

domingo, 30 de setembro de 2012


Trança de sonhos e pecados

Deita-te sobre mim
que possa
fazer tranças, de olhos fechados
dos teus sonhos e dos meus pecados

deita-te para apaziguar

os meus pedidos são muitos
mas creio que assim juntos
não haja frio nem mar

tu serás a minha vela
haja vento e não cautela
o oceano é pequeno

se tu beijares os meus lábios
não prometo sermos sábios
mas será amor sereno

tal é a distância, entre a razão e o sonho
uma intersecção que um deus proibia
o sonho andava triste, como o outono
enquanto a razão de tão só, só sofria

um dia, foi engano? a consciência despertou
há muito observava, a valsa de estes dois
ao sentir tanta distância, pegou no lenço e chorou
e a partir de ai, não acreditou no depois

carlos tronco
caen
29/09/2012