-Vamos!
Tínhamos chegado junto ao mar havia muitas luas.
Ao contrario do que tinha prometido o oráculo, o mar não se tinha afastado e ali tínhamos esperado.
Nos albornozes, já quase não havia letras, que queimar.
Tinhas-me perguntado:
-Porquê? Deus não existe?
-Deus não sei, mas as estrelas são reais. Vê como brilham nas tuas lágrimas. Se o mar não se aparta, há que vencer o mar! Dizem, que do outro lado do mundo, um povo construía pontes. Restam ainda, algumas letras...
-Façamos frases, digamos versos...e rápido alcançaremos o além, o outro lado do longe.
-Mas pontes com letras de amor...?
-Sim, quando o verso é belo, tudo é possível.
-Mas querido, a lua, as tempestades...
-Sim, talvez seja necessário reconstrui-las...
-Lembra-te de Babel!
-Sim, mas não se entendiam!
-Então?
-Façamos, depois veremos...
-Eu ainda tenho um P.
-Eu um B!
-Meu Deus...!
-Eu tenho um O.
-Vamos!
-Sim Amor.
Carlos Tronco
Quando se acrescenta à letra cor
Evrecy
26/11/12
Acrescentar à letra cor, partilhar da alma o etéreo, mostrar da mão os calos, caminhar, ao lado, em silêncio.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
e porque esperar que o ano acabe para ser feliz? se vos apetece uma pinga , não espereis as doze badaladas, a não ser que quereis comer uma abóbora. se desejais um beijo, sorri, um abraço, dai-o, e a tradição? que se foda! a verdadeira revolução, esta em partilhar, a chama que há tantos anos levais apagada no fundo do peito com medo de vos queimardes e assim ninguém nunca soube porque ardeis. içai as velas, vento haverá sempre e nem os ruminantes no governo o podem confiscar. gritai se o peito é demasiado pequeno para conter a esperança. cantai se a garganta dói demais para ter paciência. não espereis a nova madrugada. é ao crepúsculo que o sol adormece e a luz da esperança morre. e se eu morrer primeiro, bebei a minha saúde.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Carpinteiro
Um lápis pontiagudo
Afiado
Carvão tipo bicudo.
Vadio.
Coçando a folha vazia,
Deixando o traço sebento,
No papel, logo cinzento.
Um lápis de carpinteiro
Um poeta sorrateiro
Desenha com letras, historias
Formas e também tretas
Testemunho
Pedragulho: carvão.
Um lápis,
Que pelo sim pelo não
Deixa perdido em papel
Traços de vida
De fel
E assim vai aprendendo
Quanto na vida é tremendo
Não saber
O que escrever.
Carlos Tronco
Ste Honorine du Fay
01/12/12
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Além
Procuro além
Junto ao estreito horizonte
Onde se refugiam os
Meus olhos
Onde a esperança
Quer ser ponte
Entre
O que foi
E o futuro
Entre o vivido
E o sonhado
Ponte
Arco-íris
E de cor
Se cor tem
O crepúsculo
Se cor tem
É já noite
E se o cinzento também é cor
Se a chuva também lava
Se a lágrima também absolve
Se a pobreza se perdoa
Se a incerteza...
Não sei.
A noite ela cai!
O frio tão branco
A corda, nem tanto
Aperta, aperta, aperta
No desespero, na confusão
As pernas tremem
As mãos imploram
A noite cai.
Procuro e não vejo
Procuro e não sinto
E a noite cai.
Carlos Tronco
Caen
20/11/12
domingo, 23 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Prisão
Quando voar se torna grades
Preso, um pássaro, fora do seu ninho
Olhar triste, que verdades
Ver um céu, um sem destino
Preso por algemas não soldadas
Ao tempo, preso à terra, preso ao vento
Contar ao rouxinol palavras dadas
Temer não cantar, mas trair o pensamento.
Carlos Tronco
Evrecy
15/11/12
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Madrugadas de insónia
A noite caía
Húmida, fria
Como cai a noite.
Sombria.
Os teus olhos negros
Que junto à lareira brilhavam,
eram o meu aconchego.
Sonhavam,
Ou melhor,
Permitiam-me
Esperar
Que depois da noite,
Que depois do frio,
O meu olhar,
Te poderia acariciar.
Tchin, tchin...!
Alegria!
Lá fora tocava
Num saxo tenor
Um blues perdido.
-Danças?
Troquemos os passos
Da vida;
O madeiro arde.
A vodca Zubrovska
Corre.
Depois o vidro vazio
Brilha
Tequila também já não há.
Nem cigarros
Nem fumo...
Danças?
E se a noite finda?
E se o amor é pouco?
E se a esperança é apenas sonho?
Lábios colados ao espelho
Digo:
(não digo, grito)
E se não me amas?
E se sou apenas louco?
Quanto mais não ganhar,
Valeu o teu sorriso maroto.
Não é fácil provocar um sorriso
Terno, nos teus lábios, mulher.
Foram tantas
Tantas as que vi chorar.
-Amas-me?
Ao espelho,
De madrugada,
Pergunto:
Quem és?
O lado da luz
Que eu nunca fui?
A minha chama, o meu tormento?
Quem és?
E eu, existo?
O sol já chegou.
A noite já foi.
Tu já nada mais és que saudade.
Eu já não sou mais que amizade.
Quem serias,
Se a noite fosse eterna?
Quem serias se eu conseguisse sonhar?
Carlos Tronco
20/11/12
Evrecy
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Abandono
Quando os meus braços caírem
e o teu espaço seja apenas infinito,
que nos sobrará, ainda, por abraçar?
Um sorriso?
Talvez!
Mas de um velho inútil,
já ultrapassado pela derradeira esperança.
Sorrirás sim,
mas da minha pequenez,
por não ter sabido encontrar
os versos que te fariam
sorrir,
desde hoje.
carlos tronco
Baron sur odon
24/11/12
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Verdes são os campos
A ponta de um corno como bandeira
à beira mar plantada e no campo trigo
pobre, um lavrador, sem eira nem beira
tendo por morgado o único inimigo
pobre porque? será pobre a esperança?
ser feliz um sonho, aos filhos dar abrigo
pede trabalho, mais do que vingança
nos calos as letras, cantarei contigo
mudo, cantarei a liberdade para ti
cantarei amor que me desconheces
o cantar são armas que a um deus pedi
a ponta de um corno, o que nos deixaram
mas guardei semente, plantarei ali
se nascerem cravos, florirão o chão
Carlos Tronco
sábado, 27 de outubro de 2012
Um lenço; sem dizer adeus
com a idade perde-se a precisão do gesto
as palavras já não acariciam, magoam
a voz treme, as cordas vocais destoam
perde-se a compostura, a esperança e tudo o resto
era necessário, poder dizer-lho ao ouvido
de quem foi outrora tropical, o sopro quente,
um murmúrio largo e talvez comprido
que a faria rir, ficava eu contente
sonho impossível, humano não é divino
milagres das rosas, não havia pão
chovia, baldes de agua, eu sonhava vinho
nem copo , garrafa, nada tinha à mão
letras eram poucas, pouco sei dizer
sê feliz mulher, eis o meu sermão
Carlos Tronco
Ifs
26/10/12
domingo, 30 de setembro de 2012
Trança de sonhos e pecados
Deita-te sobre mim
que possa
fazer tranças, de olhos fechados
dos teus sonhos e dos meus pecados
deita-te para apaziguar
os meus pedidos são muitos
mas creio que assim juntos
não haja frio nem mar
tu serás a minha vela
haja vento e não cautela
o oceano é pequeno
se tu beijares os meus lábios
não prometo sermos sábios
mas será amor sereno
tal é a distância, entre a razão e o sonho
uma intersecção que um deus proibia
o sonho andava triste, como o outono
enquanto a razão de tão só, só sofria
um dia, foi engano? a consciência despertou
há muito observava, a valsa de estes dois
ao sentir tanta distância, pegou no lenço e
chorou
e a partir de ai, não acreditou no depois
carlos tronco
caen
29/09/2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Vamos...!
Os anos tinham passado. Aves migratórias, tinham voltado e, os filhos
tinham aprendido a voar. Agora eram os netos, que tomavam o rumo do
desconhecido, para onde o destino os chamava. Tu, continuavas ao meu lado. Os
teus cabelos negros, iam branqueando, conforme avançávamos nos caminhos que nos
haviam conduzido. As minhas barbas igualmente. Os primeiros passos tinham sido
marcados pela esperança de uma vida melhor.
Sonhávamos que os nossos
filhos pudessem aproveitar a nossa experiência, pudessem evitar os nossos
erros, para enfim atingir, a geração da felicidade. Mas, tais como os pássaros
que aprendem a voar, os filhos, há muito tinham abandonado o trilho dos anciãos
e cometiam agora, os próprios erros. No entanto, na sua força de convicção, na
rudeza do seu combate, reconhecíamos as cores das nossas velhas esperanças, a
sombra dos nossos antigos fracassos.
Adultos, eram no entanto,
agora, donos do seu próprio juízo. Os velhos que nos tínhamos tornado, já não
podiam justificar a sua própria inércia, a sua cobardia, as suas incertezas com
o preservar o futuro dos nossos descendentes: tinham crescido e voavam com asas
próprias. Então, as pedras do caminho tornaram-se mais pontiagudas, as pernas
que nos moviam, tornaram-se mais pesadas e as costas que nos protegem,
tornaram-se mais doridas. Cada passo dado, parecia agora uma chibatada de um
chicote divino, que não perdoava, o não termos abandonado a esperança. Quanto
dói a esperança. Quanto dói a experiencia. Quanto dói a liberdade!
Caminhava-mos juntos e a
dois, a vida parecia menos solitária. Tínhamos atingido o mar e deixado as
nossas pegadas na areia que as ondas, agrediam por prazer. Tínhamos atravessado
o atlântico e o vento de novo nos havia encaminhado para casa. Tínhamos
procurado a liberdade, mas muitos mais eram os que procuravam satisfazer a
ganância. Eu estaca quando tu vida. Tu fio de Ariadne quando eu perdido. Os
anos tinham passado. A natureza das expectativas, ia evoluindo. Ontem
pretendíamos conseguir. Hoje, apenas desejamos poder aceitar. Longa era a fila
dos discípulos que nos tinha seguido. Cada um tinha transformado as nossas
esperanças, em novos projectos de aperfeiçoamento. Assim, nas pegadas de
outrem, reconhecíamos a hesitação dos nossos primeiros passos. A terra
continuava a girar, e no seu passo de dança, encontrávamos motivo de
satisfação. A multidão tornara-se onda e na cresta dessa onda, se movia agora,
a sensação de felicidade.
A velhice, trouxera consigo a aceitação e na aceitação de si, havia-mos
encontrado o eco à felicidade desejada. Finalmente, morrer nada mais seria, que
atingir a meta, no caminho da vida. Quem seguia, continuaria a procurar, como nós. Assim, atingir
a imortalidade, tornava-se possível.
Quando o cabelo branco se fez raro, voltei-me para a multidão e aquele que me seguia, disse apenas:
Quando o cabelo branco se fez raro, voltei-me para a multidão e aquele que me seguia, disse apenas:
-Eis o meu bordão! A partir de agora, será o teu ceptro e com ele,
encontraras a força para não abandonares os teus sonhos.
-Vamos ! Ainda há caminho para andar...
Carlos Tronco
Baron
14/05/12
terça-feira, 24 de abril de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Olhos, para onde olhais?
A minha praia, exposta à noite,
ao norte, ao vento,
já não há conchas que a adornem.
A areia é muita e cega
quem interroga as estrelas.
De quando em quando,
passa uma cometa, a fugir
e é na sua cabeleira desguedelhada
por tantos anos-luz de incertezas,
que procuro enxugar as lágrimas
da minha ignorância.
Em vão.
Em vez de encontrar felicidade,
apenas queimo os olhos.
carlos tronco
A minha praia, exposta à noite,
ao norte, ao vento,
já não há conchas que a adornem.
A areia é muita e cega
quem interroga as estrelas.
De quando em quando,
passa uma cometa, a fugir
e é na sua cabeleira desguedelhada
por tantos anos-luz de incertezas,
que procuro enxugar as lágrimas
da minha ignorância.
Em vão.
Em vez de encontrar felicidade,
apenas queimo os olhos.
carlos tronco
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Deus te perdoe!
A eternidade, começa neste instante.
O que advém depois
reduz-se a tempo que passa:
resta saber se a segunda metade da vida
deve ser obrigatoriamente simétrica, ao principio
ou apenas metade de diferenças passadas.
Somas de igualdades não constituem
conjunto soberano ( ex. um mundo constituído só de
parafusos sem porcas)
Por outro lado soma de diferenças produz
intersecções vazias.
Acreditas em Deus... seja!
Mas em qual?
Uma força?
Aceito.
Só que duas forças de mesma intensidade provocam
efeitos distintos segundo a distancia que separa o seu ponto de aplicação, do
ponto onde é avaliado o seu efeito.
Assim se deus existe e é uma força, cada um acaba
por inventar um Deus à sua imagem e semelhança e a soma de uns, nunca
constituirá um todo, omnipresente, omnisciente.
Imagina agora duas forças de igual intensidade, de
mesma direcção, mas de sentidos opostos: isto é duas forças directamente
opostas.
Adiciona-as.
Assim poderás demonstrar que o deus força não
existe, porque se o teu deus é directamente oposto ao meu, a adição dessas duas
forças celestes, é absolutamente nula.
Até me demonstrares que a tua força divina é
superior à minha, continuarei a pensar que és quase tão agnóstica que essa
metade da minha alma que não reconhece limites, por ser infinita.
Se Deus existe lá te há-de perdoar.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Folhas derramadas
Suo com as folhas
com o outono
com o vento
a vida vai-se amarelando conforme cai
a chuva rega o desespero da solidão
e os ossos resistem
enquanto a saudade parte
um jardim de inverno é vazio
os pássaros fogem
as folhas caem
o sol já não brilha
só a noite reina
e as estrelas se calam
para cantar é preciso ter voz
não é rouxinol quem quer
Carlos Tronco
com o outono
com o vento
a vida vai-se amarelando conforme cai
a chuva rega o desespero da solidão
e os ossos resistem
enquanto a saudade parte
um jardim de inverno é vazio
os pássaros fogem
as folhas caem
o sol já não brilha
só a noite reina
e as estrelas se calam
para cantar é preciso ter voz
não é rouxinol quem quer
Carlos Tronco
domingo, 13 de novembro de 2011
Frio Tombal
Frio Tombal
Esta noite não sei com que solidão falar
Todas as mulheres se calam
Todo o amor se esgota
Toda paciência é vã
E tu apenas pretendes que nunca vou entender.
O peso do silencio quando não fere, fede
A noite de domingo excomunga a esperança
O outono da vida é triste
Chove
Folhas amareladas
E nem todas as folhas juntas fazem recordar a primavera
Sinto o nó na garganta
Espero que a morte seja rápida
E o paraíso decente
Amanhã outros purgatórios se animarão
Quem não trabalha não come
E um Deus vai-se rindo
Das formigas
Carlos Tronco
domingo, 18 de setembro de 2011
A PEDRO DISSE
A Pedro disse
Na cova o silêncio enterrado
e o barro cozido de forma humana
lembra aquele outro, em narrinas soprado
por um deus criador ao findar a semana.
Dizem ter criado o mundo em sete dias,
o ultimo tendo sido para descansar,
e eu procuro nas liturgias,
o que para além da verdade, me permita, sonhar.
Como ali nessa vala, dos tempos antigos
Nem verdade, em sonho, eu encontro
mas apenas guerreiros, mortes, inimigos.
Em vez de armadas, concebamos anforas para o vinho
Morra a sede! Hei-de sempre eu gritar
pois nada mais, neste mundo, se deve matar.
Carlos Tronco
domingo, 21 de agosto de 2011
Sobras de uma tarde, quando adormece o sol
Vinha.
Depois recuava.
Enfurecida com tudo
também enfurecida com nada.
Por vezes levava a vida
E sempre com ela brincava.
Ouvi mesmo dizer,
Que dali provinha toda forma de ser.
Estava, claro, a adorar o mar.
Mas então,
Se a vida vinha do mar,
Haveria algo mais estúpido,
Do que adorar o céu?
Alguém gritou:
-Claro,
Antes do mar, quem havia?
Quem criou o mar?
...é evidente, isso não sei,
Quem foi o primeiro,
O ovo ou a galinha, quem criou
Quem criou o mar,
Quem criou deus,
Nem tantas outras coisas.
Quem disse que deus vinha do céu?
Posídon não vinha do fundo dos oceanos?
Então, molhei os pés.
Com o frio da agua e
Porque os anos a pensar,
Já eram muitos,
Acabei por mijar nos calções.
A vida continua mesmo quando
A incontinência acontece,
Até porque,
Ninguém repara
Num velho
Que tenta afogar as dores,
Sonhando
Com o outro lado do mar.
Carlos Tronco
Almograve
Agosto 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Cascas de nozes
Cascas de nozes
Era água ou mar?
Sombra de falésia ou sonho?
Chovia.
Chovia a felicidade de um instante.
Sentia a tua presença feminina
No mais profundo
Da minha loucura.
Bálsamo,
Que sara as duvidas.
Bálsamo.
O guarda-chuva teimava em revoltar-se.
Contra o tempo, contra o vento.
Fechado tornava-se engraçado:
O sorriso adornava-lhe os lábios
Enquanto as falésias
Se iam desmoronando.
Até na pedra mais dura,
Há pontos frágeis.
No humano é o coração
Que cede o primeiro.
Há quem venda lágrimas alheias.
Outros oferecem apenas
Os próprios sonhos.
Então disse:
-Sardão não é gafanhoto!
Carlos Tronco
Cabo Sardão
Julho 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Kimbanda Kambuta
sábado, 14 de maio de 2011
Sonhar , é meio caminho andado.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Arrepios
Arrepios
Porque treme, a tua pele macia,
Quando os meus cinco dedos,
Um mesmo destino,
Uma só mão,
Espantam o voo das borboletas,
Que gemem cobrindo,
Das suas garridas cores,
O instante de um toque?
Os teus dedos,
Ávidos da minha esperança,
Conduzem suavemente,
A palma da minha mão, até ti,
Até o teu longínquo e solitário
Recanto, onde,
O bater das asas azuis,
Significa que o amor aconteceu.
Carlos Tronco
quinta-feira, 5 de maio de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Boa noite
Boa noite
Guardo-te comigo
No meu colo
Acariciando-te enquanto vou virando
As folhas de uma vida
As letras da canção
e escrevendo.
Poesia?
Fado?
Descrevendo sonhos.
Batalhas, legendas,
Vontades, desejos.
Loucuras!
Beijando o rosto.
Sugando os teus lábios.
Solicitando,
o mais intimo da tua alma,
o teu desejo,
a tua paixão.
Inundando-me nos teus leites,
afogando-me no teu gozo,
esperando nunca acordar.
Parte-me o coração, ter que deixar,
uma vês mais,
a vida por acontecer.
Sonhos lindos,
Dorme bem.
Carlos Tronco
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Malhadas
Malhadas
Olha-me.
Mas não vejas em mim,
O cansaço de um caminho
Que apenas sonhei.
Sente a esperança
Que depositei
Em cada grão de trigo
Que ofereci à terra.
A terra é estrangeira,
Mas o sol é nosso, de todos
Em conjunto.
Como a chuva que nos molha,
Como o orvalho que nos acorda.
Avança.
A cada passo, a terra gira
E a seara não tarda a ondular.
O vento, mesmo vadio,
Sopra. E vem de longe.
Sonhei sim.
Sonhei soprar
Nos teus cabelos
Desguedelhados
Até sentires
o sabor dos meus lábios
Na tua nuca.
Como é agradável
O olor do pão quente...
Morde-me agora!
Pois amanhã, não sei
Se voltarei a semear.
Carlos Tronco
UniCaen
23/10/10
Olha-me.
Mas não vejas em mim,
O cansaço de um caminho
Que apenas sonhei.
Sente a esperança
Que depositei
Em cada grão de trigo
Que ofereci à terra.
A terra é estrangeira,
Mas o sol é nosso, de todos
Em conjunto.
Como a chuva que nos molha,
Como o orvalho que nos acorda.
Avança.
A cada passo, a terra gira
E a seara não tarda a ondular.
O vento, mesmo vadio,
Sopra. E vem de longe.
Sonhei sim.
Sonhei soprar
Nos teus cabelos
Desguedelhados
Até sentires
o sabor dos meus lábios
Na tua nuca.
Como é agradável
O olor do pão quente...
Morde-me agora!
Pois amanhã, não sei
Se voltarei a semear.
Carlos Tronco
UniCaen
23/10/10
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Métodos numéricos
Não soube.
As agulhas estagnavam
Num espaço tempo
delimitado
por um arco de circulo
completo
Dividido em doze porções
talvez cada uma,
uma
parte de um evangelho
e cada minuto que passava
uma reza,
um capitulo
de um dos apostolos
que teria preferido
a certeza do divino
à aproximação de uma integral.
Desesperadamente,
o tempo não corria,
e proporcionalmente à velocidade do tempo
a minha folha de papel
continuava absolutamente vazia de sentido.
Tinha adotado as matematicas
no terceiro ciclo
e passava então
o meu primeiro exame.
Santa Trindade:
Lagrange, Cauchy e Simpson
Ajudai-me
pois eu não sei como fazer.
Carlos Tronco
UniCaen
20/10/10
As agulhas estagnavam
Num espaço tempo
delimitado
por um arco de circulo
completo
Dividido em doze porções
talvez cada uma,
uma
parte de um evangelho
e cada minuto que passava
uma reza,
um capitulo
de um dos apostolos
que teria preferido
a certeza do divino
à aproximação de uma integral.
Desesperadamente,
o tempo não corria,
e proporcionalmente à velocidade do tempo
a minha folha de papel
continuava absolutamente vazia de sentido.
Tinha adotado as matematicas
no terceiro ciclo
e passava então
o meu primeiro exame.
Santa Trindade:
Lagrange, Cauchy e Simpson
Ajudai-me
pois eu não sei como fazer.
Carlos Tronco
UniCaen
20/10/10
domingo, 26 de setembro de 2010
Anda! Sobrará tempo para pensar.

Tinhela (Concelho de Valpaços-1987)
Anda. Sobrará tempo para pensar.
Tronco pega até de estaca
Como pedra na muralha
Se o leite também é vaca
Tronco é fio de navalha
O verde a cor do sonho
Vontade também não falta
A honra é o meu punho
Que levanto e em voz alta
Proclamo, mas bem sabeis
O passo faz-se com jeito
Se a coroa é para os reis
As folhas são o meu leito
Ali deito as minhas letras
Esperanças, sonhos, mimos
Redondas, deitadas, pretas
Andar; depois ver caminhos.
Carlos Tronco
UniCaen
24/09/10
sábado, 21 de agosto de 2010
ENCONTROS
Não são abraços nem beijos, a distância não permite
Mas algures em um velho peito, um coração em palpite
A emoção foi violenta, ia-me dando uma coisa
Deixastes dos astros o brilho, das estrelas os sorrisos
É bom saber, nesta vida - bem preciso - ter amigos!
Para navegar em mar alto e depois deixar na lousa.
Palavras e muitas vezes, sem o mínimo sentido.
Pensamentos, sonhos, ventos; até perco o juízo;
Mas procuro, simplesmente, um caminho, uma picada,
Que me leve mais adiante e se possível mais alto
Quero voar um dia, no dia do grande salto
Admirar na planície, a fragilidade da vida.
Ver, de um só olhar, do horizonte a verdura
Dos belos campos de trigo e no meio a formosura
O verde da esperança, pois com trigo não há fomes,
O vermelho das papoilas, violência da paixão
Recordar uma vida cheia e no meio do coração
Sentir todos os amigos, recordar os meus amores.
E aí dizer: oh Deus! A minha vida foi boa.
Dá-me mais alguns aninhos, não faças coisas à toa.
Falta-me ainda confessar, ainda não disse tudo:
O meu primeiro amor, encontrei-o num altar
Era uma virgem de barro e continuo a procurar
O que a virgem não me deu, quando ainda era miúdo!
Carlos Tronco
Évora
24/02/04
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
"Estrela da Galicia"
Estrela da Galiza
Esperava que caísse a noite.
Que sobre o mar caísse,
O brilho das estrelas.
Quando o mar mais negro
Brilhava só de vê-las,
Aí sim, me aproximava da areia.
Que fazia ali? Nadar não sabia.
A água gelada, o banho proibia,
Se o mar está bravo, não há
Como vencer,
Sentado na praia,
Tentava aprender.
Olhava as crianças, construir castelos;
Castelos de areia, de vários modelos,
Atitude simples, de génio primário:
Sem Deus por modelo,
Nem santo sudário.
Erguiam castelos de sonhos, meninos
De areia molhada e de grãos mui finos.
Algures se empregava, o aço e cimento
Se faziam torres,
Prisões para os homens.
Felizes como peixes,
Com o anzol na goela;
Ou burros de cigano,
Presos a uma argola.
Carlos Tronco
Muros
02/08/10
Esperava que caísse a noite.
Que sobre o mar caísse,
O brilho das estrelas.
Quando o mar mais negro
Brilhava só de vê-las,
Aí sim, me aproximava da areia.
Que fazia ali? Nadar não sabia.
A água gelada, o banho proibia,
Se o mar está bravo, não há
Como vencer,
Sentado na praia,
Tentava aprender.
Olhava as crianças, construir castelos;
Castelos de areia, de vários modelos,
Atitude simples, de génio primário:
Sem Deus por modelo,
Nem santo sudário.
Erguiam castelos de sonhos, meninos
De areia molhada e de grãos mui finos.
Algures se empregava, o aço e cimento
Se faziam torres,
Prisões para os homens.
Felizes como peixes,
Com o anzol na goela;
Ou burros de cigano,
Presos a uma argola.
Carlos Tronco
Muros
02/08/10
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Santiago Mata-mouros

Depois de um ano de incertezas profissionais, aqui estava de novo, em Galiza, sentado frente à ria de Noia e Muros, a escassos quilómetros de Portosin. Tinham passado 13 anos. A minha filha mais velha tem agora doze, e há treze anos tinha lutado com sucesso para obter a qualificação de “professeur certifié” na área da mecânica aplicada. Desde então, exerci em vários estabelecimentos de ensino técnico e superiores, uns anos com mais facilidade, outros com mais dificuldades, mas em geral tentando transmitir aos alunos, um pouco do meu conhecimento técnico adquirido não somente nos bancos da escola como também em varias empresas privadas de quem fui empregado quando mais jovem. Como o tempo passa! E nada muda.
Sempre a mesma promessa de felicidade da parte de quem nos quer submissos, governar. Sempre as mesmas palavras de ordem para “papanatas”:
-Travaillez plus pour gagner plus!
Uma porra! …assim vão enchendo os bolsos e alimentando o sistema bancário helvético, enquanto a massa anónima dos trabalhadores, vai perdendo fé e esperança. Vai-se admitindo que ao fim e ao cabo, são todos iguais, vai-se admitindo a necessidade de um poder forte, “fazedor” de milagres como no filme “O botas e o Galego” que há muito já quase esquecestes. Vai-se contentando com histórias de milagres, de meigas e fadas e sofrendo a incultura ultra securitária de quem apenas defende os interesses da sua casta, senão os próprios interesses. Assim nasce uma nação próspera para alguns e miséria e maldição para quase todos.
- E porque é que o povo não se revolta, perguntareis?
Porque o principal dirigente, se afixa com beldades com quem a maioria da população masculina desejaria copular. Em uma palavra, todo um povo financiando as putas da República com a impressão de, por isso, beneficiar também do bordel, bordel onde apenas os outros comem.
-E quando o bordel por telepatia já não chegar para contentar o povo?
Haverá sempre um papa, um rabi, um mollah para mostrar o caminho do paraíso, para palrar de felicidade, só que, os milagres, nem em Fátima nem em Lourdes acontecem todos os dias e dar a mama à religião custa cada dia mais caro. Caro tão ou mais que os seus compadres militares. Quanto não custa hoje em dia criar uma guerrita para entusiasmar o Zé-povinho?
Alguém se lembra da heróica luta do povo afegani contra o invasor soviético? Alguém se lembra do principal aliado do “ocidente livre” , financiado e treinado por fundos obscuros, que lhe permitiu adquirir, por exemplo mísseis Stinger capazes de abater um helicóptero como uma caçadeira abate uma perdiz ou um cajado duas lebres? Já esquecestes claro; que um Deus vos perdoe. Já esquecestes, mesmo se todos os dias vos falam no heróico combate contra o mal absoluto, da santa irmandade ocidental...milagres hoje em dia custam caro e santos, que como Francisco faziam votos de pobreza, já os não há. Então em vez de investir no bem comum de toda uma população, isto é, em serviços públicos, ao contrário, pilha-se o bem comum de uma nação. Os larápios, deixam de ser quem liquida empresas e despede trabalhadores, mas vêm a ser quem alimenta toda esta máfia com o seu suor, nas fábricas, nos campos, em todo recinto onde trabalho é lei. Fecham-se hospitais, despedem-se professores, aumenta-se a idade legal de aposentamento. Nivela-se pelo mais baixo e inventa-se uma palavra de ordem que tudo justifica, até as maiores imbecilidades: Crise!!!
Haja “tevê”e futebol e nunca mais se repetira 1789! Quantas mais forem as “Bastilhas” a tomar, menos haverá de “Sans-cullottes” para o fazerem.
Se o povo desde sempre parece andar de saia, se já não se sabe quem ainda veste calças, parece cada dia mais óbvio que o povo já não tem tomates.
Este ano o 25 de Julho calhava um domingo. É Ano Santo. Fui-me a caminho de Santiago. O polvo à feira estava estupendo e o albariño ainda melhor.
Carlos Tronco
Linteiros- Miñortos
27-07-10
Sempre a mesma promessa de felicidade da parte de quem nos quer submissos, governar. Sempre as mesmas palavras de ordem para “papanatas”:
-Travaillez plus pour gagner plus!
Uma porra! …assim vão enchendo os bolsos e alimentando o sistema bancário helvético, enquanto a massa anónima dos trabalhadores, vai perdendo fé e esperança. Vai-se admitindo que ao fim e ao cabo, são todos iguais, vai-se admitindo a necessidade de um poder forte, “fazedor” de milagres como no filme “O botas e o Galego” que há muito já quase esquecestes. Vai-se contentando com histórias de milagres, de meigas e fadas e sofrendo a incultura ultra securitária de quem apenas defende os interesses da sua casta, senão os próprios interesses. Assim nasce uma nação próspera para alguns e miséria e maldição para quase todos.
- E porque é que o povo não se revolta, perguntareis?
Porque o principal dirigente, se afixa com beldades com quem a maioria da população masculina desejaria copular. Em uma palavra, todo um povo financiando as putas da República com a impressão de, por isso, beneficiar também do bordel, bordel onde apenas os outros comem.
-E quando o bordel por telepatia já não chegar para contentar o povo?
Haverá sempre um papa, um rabi, um mollah para mostrar o caminho do paraíso, para palrar de felicidade, só que, os milagres, nem em Fátima nem em Lourdes acontecem todos os dias e dar a mama à religião custa cada dia mais caro. Caro tão ou mais que os seus compadres militares. Quanto não custa hoje em dia criar uma guerrita para entusiasmar o Zé-povinho?
Alguém se lembra da heróica luta do povo afegani contra o invasor soviético? Alguém se lembra do principal aliado do “ocidente livre” , financiado e treinado por fundos obscuros, que lhe permitiu adquirir, por exemplo mísseis Stinger capazes de abater um helicóptero como uma caçadeira abate uma perdiz ou um cajado duas lebres? Já esquecestes claro; que um Deus vos perdoe. Já esquecestes, mesmo se todos os dias vos falam no heróico combate contra o mal absoluto, da santa irmandade ocidental...milagres hoje em dia custam caro e santos, que como Francisco faziam votos de pobreza, já os não há. Então em vez de investir no bem comum de toda uma população, isto é, em serviços públicos, ao contrário, pilha-se o bem comum de uma nação. Os larápios, deixam de ser quem liquida empresas e despede trabalhadores, mas vêm a ser quem alimenta toda esta máfia com o seu suor, nas fábricas, nos campos, em todo recinto onde trabalho é lei. Fecham-se hospitais, despedem-se professores, aumenta-se a idade legal de aposentamento. Nivela-se pelo mais baixo e inventa-se uma palavra de ordem que tudo justifica, até as maiores imbecilidades: Crise!!!
Haja “tevê”e futebol e nunca mais se repetira 1789! Quantas mais forem as “Bastilhas” a tomar, menos haverá de “Sans-cullottes” para o fazerem.
Se o povo desde sempre parece andar de saia, se já não se sabe quem ainda veste calças, parece cada dia mais óbvio que o povo já não tem tomates.
Este ano o 25 de Julho calhava um domingo. É Ano Santo. Fui-me a caminho de Santiago. O polvo à feira estava estupendo e o albariño ainda melhor.
Carlos Tronco
Linteiros- Miñortos
27-07-10
A mãe foi...

A mãe foi...
A mãe foi!
Que frase tão triste.
Não há que fazer!
Que dizer?
Despiste a alma
O termo final
A mãe foi-se e tu
Ferido animal
Lambes as feridas
De um chicote divino.
Que pensar?
A mãe foi-se...
O próximo sou eu!
Cristão, Maometano
Ou mesmo Judeu
Não há quem nos valha
Quando tal evento
Mete um termo à vida
Para até o tempo
Quando vai a mãe,
Quem nos da alento?
Carlos Tronco
Noia
01/08/10
A mãe foi!
Que frase tão triste.
Não há que fazer!
Que dizer?
Despiste a alma
O termo final
A mãe foi-se e tu
Ferido animal
Lambes as feridas
De um chicote divino.
Que pensar?
A mãe foi-se...
O próximo sou eu!
Cristão, Maometano
Ou mesmo Judeu
Não há quem nos valha
Quando tal evento
Mete um termo à vida
Para até o tempo
Quando vai a mãe,
Quem nos da alento?
Carlos Tronco
Noia
01/08/10
terça-feira, 29 de junho de 2010
Juramentos. E o tempo passa...
Nunca te disse, sonhei
Nunca beijei os teus lábios
Se não sorri, não chorei
Se não falei, foi pecado
Se eram doces ou salgados,
Ousara e pudera ser amado
Se o disse, já vai longe
O tempo dos doces sonhos
Não esqueci, tornei monge
E adoro os teus olhos
A vida é que continua
A minha dor é só tua
O tempo é que não para
E se a alma não se amarra
O coração é volúvel
Passam anos como nuvem
O tempo passa depressa
Quando o juízo regressa
Choro não faz ganhar nada
A lembrança é sempre amarga!
É verdade, assim sonhei
Juramentos. E o tempo passa...
Carlos Tronco
Mondeville
21 juin 2010
domingo, 27 de junho de 2010
"O jornalista João Ferro, que foi um dos fundadores da SIC, em 1992, foi encontrado morto, esta terça-feira, na casa onde vivia sozinho, desconhecendo-se a causa do óbito.
João Ferro trabalhou na agência noticiosa russa Novosti, na RTP e na SIC, da qual foi fundador e onde exerceu durante mais de uma década e até se reformar, integrando atualmente o Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas.
Conhecedor dos temas internacionais, uma das suas últimas participações como jornalista foi um texto sobre o Muro de Berlim, escrito para um dossier especial com que a SIC Online assinalou o aniversário da queda do muro. "
Extracto
http://www.destakes.com/redir/30e3e79f1f...490532839df1185
O João foi o artesão que, com um grupo de amigos muito proximos, ajudou a publicação do meu primeiro livro "O que é a vida afinal ?"
Repousa em paz Amigo.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
À sombra de um velho Tronco
Um dia, cansado, sentei-me. A não ser que tenha dobrado os joelhos. Dobravam-se as pernas, pesava a mente. Algo como a massa da consciência, multiplicado pela aceleração da idade, em uma palavra o peso de um princípio de velhice. Sentei-me e pedi conselho à minha árvore.
Já vos tinha falado da minha árvore?
Naquele tempo plantavam-se soutos. Sabia-se que a vida é curta e que castanhas só provariam os filhos, e mais provavelmente apenas os netos. Castanheiros havia-os com centenas de anos: alguns, 10 homens de braços estendidos, não eram suficientes para os abraçar.
No acto de plantar uma árvore, havia o dom do saber fazer, mas também e sobretudo a esperança no futuro. Um castanheiro cresce devagar e é devagar que se aprende. Devagar e com esforço. Com as estações que passam, com as andorinhas que voam, com a chuva que cai.
A neve é branca.
O meu avô, tinha por ofício carpinteiro: sabia que em matéria de traves, a nobreza do castanho, nada tinha de comparável com a avidez do eucalipto. Como o tinha feito o seu avô, plantou um castanheiro para mim. Como eu plantei um para os meus netos. Terei netos um dia? A sombra já os espera. Porque na vida é necessário parar. Parar para reflectir e nada tal que a sombra amiga de uma velha árvore para pensar na vida. Pensar que, mesmo quando a bolsa de valores sobe ou desce em Nova Iorque, em Londres, (até parece um filme do Cantinflas) a terra continua a girar, exactamente à mesma velocidade, em torno do sol. Por isso é necessário olhar o futuro; plantar hoje para que as gerações futuras possam continuar a crer. Possam enfim acreditar que é no dom de si, na transmissão do seu saber, que o ser humano se glorifica e não na capacidade em roubar as classes operárias, na capacidade a enganar o povo.
O meu avô, plantou um castanheiro, para eu poder ensinar um dia aos meus netos a aplainar uma tábua, a fazer uma mesa, a erguer um telhado, tal como José o ensinou ao Cristo na nossa mitologia cristã, enquanto Maria protegia a sua virgindade. Sentei-me à sombra do meu velho castanheiro e este aconselhou-me. Aconselhou-me a continuar a aprender. O dom de si, a transmissão do seu saber e experiência, nunca são suficientes. Não devem ter limites. Hoje, que as minhas barbas se tornaram brancas, decidi voltar à vida de aprendiz. Porque só quem mantém actuais os conhecimentos pode continuar a transmitir algo útil. Vinte anos depois de ter sido admitido como professor titular (certifié) decidi completar o terceiro ciclo de engenharia mecânica. No oficio de carpinteiro, o essencial no aplainar de uma tábua, não é o render esta o mais lisa possível, mas acariciar a matéria em sinal de homenagem à arvore sacrificada para que a tábua, a mesa, a trave possa vir a existir. Assim, o carinho do gesto, torna-se um acto de amor e não uma simples operação destinada a fabricar, para vender.
Aí esta toda a diferença entre o humano e o profissional. O humano, é sem dúvida profissional quando procura a perfeição do gesto. O profissional que apenas trabalha para angariar fortuna (o que muitas vezes mal chega para cerveja, cigarros e futebol) não só apenas transmite vento, como degrada altamente a sua nobre condição de ser humano. No entanto tem filhos. Um dia terá netos. Que lhes poderá transmitir? Uma conta bancária antes mesmo de saberem limpar o traseiro? Um carro, muito antes de saberem assoar os “moncos”? Nada de nobre poderá transmitir e se não o faz, quem poderá superar as deficiências morais e intelectuais deste pai? Deste avô? Sei. O professor que tanto criticais, é pago para isso. Ter os tomates que vós pais não tendes. O santo professor “fazedor” de milagres: pai, filho e espírito santo em um só homem indigente e mal pago.
Portanto, cada dia que devereis perguntar qual será o futuro dos vossos filhos, orai:
-Ajudai-nos santo professor, pois nós pais indignos, não passamos de uma nojenta parelha de burros.
Carlos Tronco
Mondeville
22/06/10
sexta-feira, 14 de maio de 2010
beijo na nuca
adoraria deitar-me nas tuas costas
deixar-me levar pelas ondas
como quem se atira ao mar
deitar-me para aprender
qual o teu gosto mulher
ouvir as gaivotas cantar
quando se trinca a cereja
por madura que ela seja
tem o caroço no meio
se me deito prà trincar
é para o teu lado acordar
uma mão sobre o teu seio
parece até ser um fado
de um casal enamorado
sem cordas dar à guitarra
é triste estar tão longe
é quase vida de monge
mas um dia há-de ser farra
é triste cantar sozinho
parece tristeza de vinho
e a solidão me embebeda
amar sem ter a presença
da mulher a quem confessa
é mesmo vida de ...pedra
pedra suja dos caminhos
e lá vamos tão sozinhos
por ai a rebolar
poder dizer a verdade
maneira de matar saudade
para quem não pode amar
Carlos Tronco
Mondeville
13/05/10
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Uandala kuia ni e me?
É na poeira dos caminhos,
que melhor se escrevem
as lendas dos amores vadios.
Um dedo desenha letras
de um alfabeto
imaginário
só conhecido por quem ama.
Por vezes aparecem vírgulas
travessões, pontos finais.
Algo então aconteceu:
um beijo,
um abraço,
nasceu um amor.
Suspenso aos lábios da vida,
há que continuar a caminhar,
para que de novo,
as lajes se cubram de poeira
e novas historias de amor se tornem possíveis.
Só o tempo tem o poder de tudo apagar.
Não é amado quem quer.
Mas quem, como Martinho,
Partilha a metade do coração,
Tem mais hipóteses de não caminhar sozinho.
Então a cigana disse:
Vê-se nos teus olhos.
Carlos Tronco
Cabala
06-05-10
domingo, 25 de abril de 2010
Trago um cravo no peito, vermelho amor-perfeito...
terça-feira, 20 de abril de 2010
Uma catedral à beira mar
Junto ao mar
esse mar de pedras
onde começa a esperança
deixei como uma oração
um principio de catedral
onde cada nada é uma prece
ali, em constante desequilíbrio
o frágil da vida
à mercê do vento
do tempo
quem sabe, de um Deus.
Mas só assim pude voltar a luta
ao passo de dança
que nos conduz
pé ante pé
pedra sobre pedra
a outras madrugadas
Quem sabe...
Katia Guerreiro
também canta naquele fado maravilhoso:
-“Acordar contigo ao lado e te beijar...”
Carlos Tronco
Ïle grande, Bretanha
Abril de 10
sábado, 17 de abril de 2010
Bretanha
mar semeado de rochedos negros
inferno de granito,
um quase atlântico
sente-se a morte,
teme-se o mito
e o tempo passa
gritando
o seu triste pranto
a maré vai
e sempre volta
a fugir
abraçando areias
alimentando conchas
e os rochedos cansados
de orar e pedir
desfazem-se em pedaços,
rolam feitos bolas,
mas alma de pedra
ninguém sabe medir
Carlos Tronco
Île de Batz
17/04/10
quarta-feira, 10 de março de 2010
Esperança
Esperei. Esperei que a novidade fosse boa. Esperei que contivesse alguma esperança. O caos adorna tudo o que nos envolve e nos foi querido. O combate foi intenso. Durou todo o tempo, em que persistiu a inteligência. Mas o inimigo era invencível. Perdemos o primeiro combate. Agora devemos angariar novas forças ou seremos vencidos de vez. Não vos prometo a vida fácil de qualquer “americain way of live”.
Deveis saber porque combateis. Solidariedade. A tomada de consciência é o primeiro passo para alcançar a vitória. Não podereis ajudar o próximo, se vos mesmos fôreis incultos. Primeiro cultivai-vos. Não se trata de conseguir o tão desejado título de “doutor”, mas sim de ser capaz de concretizar com as vossas mãos, o que imagina o vosso espírito. No entanto ser-vos reconhecida a capacidade não é suficiente. É necessário, conseguir, concretizar, realizar: isto é apenas o primeiro passo.
Se tomais consciência, aprendeis, realizais e não conseguis transmitir o vosso saber, então para nada serviu o vosso combate. O homem não é eterno. Se depois de vos nada restar da vossa experiência, haveis sido inúteis. Parasitas. Os vossos erros devem evitar os mesmos erros a quem vos segue. Não evitará, sem duvida, novos erros. Diminuirá, no entanto, a probabilidade de errar e como tal, participará, à edificação de uma sociedade mais humana.
O aperfeiçoamento do homem, é a condição necessária, mesmo se não suficiente, para avançar no caminho do alto. No entanto, para alcançar o cume, será necessário que a esperança subsista.
Já Camões escrevia:
“Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia o pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia...”
Depois de sete requerimentos infrutíferos, depois de sete anos de espera, hoje fui autorizado a regressar à Faculdade de engenharia mecânica Pretendo que para ensinar é necessário ter a humildade de quando em quando de voltar a ser aprendiz.
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