Sinto-me ligeiro como a neve,
caindo lentamente,
para a terra.
Já sinto o frio
que me enterra,
já sinto a morte
e de contente,
ergo o punho ao céu
em desafio.
Morro sem me render,
sem cobardia.
Não sendo rico,
posso até morrer,
com brio.
Carlos Tronco
Mondeville
28/01/06
Acrescentar à letra cor, partilhar da alma o etéreo, mostrar da mão os calos, caminhar, ao lado, em silêncio.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Noites de perdição
Noite alta
Trevas espessas
Espera longa
Uma voz ecoa
Um clamor chama
O murmúrio nasce
A solidão aguda,
Fere a alma delicada
E o sol parece
Uma estrela sem amor
Porque a negra noite
Fria acontece
Tu
Cometa
De longa cabeleira
Cintilante
Que apareces
Por vezes
No reino dos céus
Saras as chagas
De um peito aberto
A um coração perdido
Enamorado
Carlos Tronco
Mondeville
10/01/06
Trevas espessas
Espera longa
Uma voz ecoa
Um clamor chama
O murmúrio nasce
A solidão aguda,
Fere a alma delicada
E o sol parece
Uma estrela sem amor
Porque a negra noite
Fria acontece
Tu
Cometa
De longa cabeleira
Cintilante
Que apareces
Por vezes
No reino dos céus
Saras as chagas
De um peito aberto
A um coração perdido
Enamorado
Carlos Tronco
Mondeville
10/01/06
domingo, 21 de junho de 2009
Uma trança

Uma trança
Feita de caminhos
Bem entrelaçados
Escondidos dos olhos
Batidos pelos ventos
Uns de fios de ouro
Os outros cinzentos
Leve como a dança
De penas perdidas
Caminhos sem rumo
Cabelos de fumo
Que mãos penteiam
Com dedos molhados
Cabelos apanhados
Por fitas de cor
Belos penteados
Carinho e amor
Caminhos sem fim
De vidas suponho
Ou fios sem prumo
Que olhar ruim
Não viu nem quer ver
Perdido a olhar
Muito devagar
Vai-se arrepender
A trança da vida
Agora desfeita
Era tão cumprida
Já não se aproveita
Hoje é carrapito
Mais pequeno claro
Também é bonito
Pois de metal raro
Carlos Tronco
Mondeville
3/01/06
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Fado do amanhecer
Tocar com a ponta dos meus dedos
Da alma os teus segredos
E os teus lábios beijar
A distância é tão-somente
Pimenta para quem sente
Com o tempo se aprende a amar
Amar com garra e dedico
O feio e o bonito
à razão das minhas preces
Andava no mundo perdido
Sonhava sozinho e comigo
E então tu apareces
Não houve nem azinheira
Pastorinhos ou outra asneira
Apenas oportunidade
De abrir asas e voar
Como quem queria voltar
Aos vinte anos; a boa idade
Gira a terra como sempre
De uma forma permanente
Contigo quero dançar
Que toque à noite e ao um dia
A orquestra, a sinfonia
Até o sol se deitar
Carlos Tronco
Mondeville
01/01/06
Da alma os teus segredos
E os teus lábios beijar
A distância é tão-somente
Pimenta para quem sente
Com o tempo se aprende a amar
Amar com garra e dedico
O feio e o bonito
à razão das minhas preces
Andava no mundo perdido
Sonhava sozinho e comigo
E então tu apareces
Não houve nem azinheira
Pastorinhos ou outra asneira
Apenas oportunidade
De abrir asas e voar
Como quem queria voltar
Aos vinte anos; a boa idade
Gira a terra como sempre
De uma forma permanente
Contigo quero dançar
Que toque à noite e ao um dia
A orquestra, a sinfonia
Até o sol se deitar
Carlos Tronco
Mondeville
01/01/06
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Sem título...
Se eu soubesse quantas vidas
Tenho para florescer
Deixava-me de despedidas
Ia pelos montes correr
Cantar fados, desgarradas
Deixar a vida viver
Com o inverno, com o estio
E a primavera a crescer
Venham amigos, amores
Que venham todos por bem
No peito da minha mão
Há lugar para cada um
Um abraço ao coração
E pão para mais algum
Sentem-se amigos à roda
Tudo é bom enquanto dura
Ele só se termina a boda
Quando algum Deus nos empurra
Para o vazio, para a cova
Mesmo sendo a morte pura
Seja o mais tarde possível
A cova só quero ver
Quando não puder sonhar
E amigos já não ter
Carlos Tronco
Mondeville
31/12/05
Tenho para florescer
Deixava-me de despedidas
Ia pelos montes correr
Cantar fados, desgarradas
Deixar a vida viver
Com o inverno, com o estio
E a primavera a crescer
Venham amigos, amores
Que venham todos por bem
No peito da minha mão
Há lugar para cada um
Um abraço ao coração
E pão para mais algum
Sentem-se amigos à roda
Tudo é bom enquanto dura
Ele só se termina a boda
Quando algum Deus nos empurra
Para o vazio, para a cova
Mesmo sendo a morte pura
Seja o mais tarde possível
A cova só quero ver
Quando não puder sonhar
E amigos já não ter
Carlos Tronco
Mondeville
31/12/05
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O fragil da vida
Silêncio, branco, em noite que amanhece
Quando o manto estendido, vencido parece
Por vezes, no meio, uma ave, procura
Pão. Semente ou somente salvar a vida
Algum insecto, verme, criatura perdida
Branco e frio; é gelo, em manhã ja madura
Combate entre o belo e o tempo que passa
A neve a orar, com fé, rogando a graça
A clemencia dos céus, também algum frio
A ave coitada, com fome procura
Se alguém viu passar um petisco; ternura
De uma cena que segue docemente, um fio
Que amarra à vida, à terra e ao céu
Para voar, a ave, precisa de piteu
A neve necessita para viver de gelo
A ave, ela, morre de frio, ao vê-lo
Eu à janela, impotente, assisto
Ao drama da vida, resumido, a isto.
Carlos Tronco
Mondeville
28/12/05
domingo, 14 de junho de 2009
Emigrantes
Enquanto houver
Uma vela acesa
Na mais pequenina capela
Do mais agreste monte
A gente ao vê-la
Ao olhar p'ra ela
Acredita
Que a esperança
Continua a correr daquela fonte
O que nos une à Terra?
Procurais
Não são só os “ais”
Acredito
Para uns pode ser
O que viveram os pais
Para outros a recordação
De um sol mais bonito
Carlos Tronco
Mondeville
06/12/05
Uma vela acesa
Na mais pequenina capela
Do mais agreste monte
A gente ao vê-la
Ao olhar p'ra ela
Acredita
Que a esperança
Continua a correr daquela fonte
O que nos une à Terra?
Procurais
Não são só os “ais”
Acredito
Para uns pode ser
O que viveram os pais
Para outros a recordação
De um sol mais bonito
Carlos Tronco
Mondeville
06/12/05
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Chorar
De mãos fadistas, doce carícia
Na pele vibrante, nas tuas cordas
Sente dos dedos, mas sem malícia
O carinho sagrado, tu quando acordas
Tu, oh! guitarra, fêmea encantada
Da tua voz, doce e suave
Tornas mais leve, a madrugada
Contigo voo, tal uma ave
As tuas formas, arredondadas
Recordam as musas, tempos antigos
Em que nos bosques, viviam fadas
Esse teu cabo, que não tem fim
De alguma Deusa, lembra-me as pernas
Meias de vidro, cor de marfim.
CARLOS TRONCO
Mondeville
06/12/05
Na pele vibrante, nas tuas cordas
Sente dos dedos, mas sem malícia
O carinho sagrado, tu quando acordas
Tu, oh! guitarra, fêmea encantada
Da tua voz, doce e suave
Tornas mais leve, a madrugada
Contigo voo, tal uma ave
As tuas formas, arredondadas
Recordam as musas, tempos antigos
Em que nos bosques, viviam fadas
Esse teu cabo, que não tem fim
De alguma Deusa, lembra-me as pernas
Meias de vidro, cor de marfim.
CARLOS TRONCO
Mondeville
06/12/05
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Espera
Espera
Traz a tua alma
que para inspiração já tenho a lua
traz o teu coração pois para beleza já tenho o sol
vem, traz o teu ser, vem vestida ou nua
e do teu carinho farei o meu lençol
Carlos Tronco
Mondeville
26-11-05
Traz a tua alma
que para inspiração já tenho a lua
traz o teu coração pois para beleza já tenho o sol
vem, traz o teu ser, vem vestida ou nua
e do teu carinho farei o meu lençol
Carlos Tronco
Mondeville
26-11-05
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Palavras para...Inês
Palavras para…Inês
Entre a tua gentileza e a minha solidão
existe apenas um mar, um oceano incógnito
de quem a maior lágrima é a distância
as quimeras e outros sonhos coloridos,
são os enfeites que feitos espuma, adornam as ondas
Nem sempre o horizonte é rubro ao por do sol
por vezes chovem cravos vermelhos
e quando vires uma mancha vermelha no negro do meu colete
saberás que as letras do alfabeto se esgotaram
cheguei e o poema, esta prestes acabado
Carlos Tronco
Mondeville
19/02/09
Entre a tua gentileza e a minha solidão
existe apenas um mar, um oceano incógnito
de quem a maior lágrima é a distância
as quimeras e outros sonhos coloridos,
são os enfeites que feitos espuma, adornam as ondas
Nem sempre o horizonte é rubro ao por do sol
por vezes chovem cravos vermelhos
e quando vires uma mancha vermelha no negro do meu colete
saberás que as letras do alfabeto se esgotaram
cheguei e o poema, esta prestes acabado
Carlos Tronco
Mondeville
19/02/09
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Condenado ao silêncio
São palavras de sonho
são sonhos mal ditos
são corações aflitos
pesadelos medonhos
não saber dizer
o que alma sente
e na mão da gente
não poder fazer
inventar com letras
palavras que ditas
e depois escritas
toquem ; são cornetas
palavras são música
que alegra o ser
não poder dizer
é a morte somente
Carlos Tronco
Mondevile
26/11/05
são sonhos mal ditos
são corações aflitos
pesadelos medonhos
não saber dizer
o que alma sente
e na mão da gente
não poder fazer
inventar com letras
palavras que ditas
e depois escritas
toquem ; são cornetas
palavras são música
que alegra o ser
não poder dizer
é a morte somente
Carlos Tronco
Mondevile
26/11/05
sábado, 6 de junho de 2009
Nevão

Neva docemente
e docemente se vai cobrindo
de imaculado branco
os testemunhos da humana vida
neva, docemente
e docemente
se vai acreditando
que ainda é possível
preservar
este nosso cantinho de vida
neva, docemente
como um sinal do alto
um convite
à aceitação do destino
neva, docemente
mas sabemos,
que os bonecos de neve
são o fruto
das mãos do homem
Carlos Tronco
Mondeville
26/11/05
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Inverno
Em fria madrugada
quando mercúrio desce
até ao sétimo "degrau"
abaixo de zero
acontece o milagre
do cristal de gelo
Dona Aranha,
tendo armado a sua teia
na véspera
para caçar algum
insecto
de sina menos invejável
depara-se
quando Dão Sol
abre o primeiro
olho
com uma obra-prima
digna do “Michelangelo”
dos aracnídeos
e eu,
pobre caiador
de muros velhos
levo o meu joelho a terra
em sinal de reconhecimento:
a natureza
recompensa a vista
para que lhe perdoem
o silêncio
do canto dos rouxinóis
Carlos Tronco
Mondeville
21/11/05
quando mercúrio desce
até ao sétimo "degrau"
abaixo de zero
acontece o milagre
do cristal de gelo
Dona Aranha,
tendo armado a sua teia
na véspera
para caçar algum
insecto
de sina menos invejável
depara-se
quando Dão Sol
abre o primeiro
olho
com uma obra-prima
digna do “Michelangelo”
dos aracnídeos
e eu,
pobre caiador
de muros velhos
levo o meu joelho a terra
em sinal de reconhecimento:
a natureza
recompensa a vista
para que lhe perdoem
o silêncio
do canto dos rouxinóis
Carlos Tronco
Mondeville
21/11/05
terça-feira, 2 de junho de 2009
Cerrado
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Passos sem rumo
Quando longe dos meus passos
vereis as minhas pegadas hesitantes
e que ao longe o horizonte
pareça nada mais que infindo
não tenteis seguir-me:
será porque me perdi
Quando longe dos meus passos
encontrareis a minha alma
dizei baixinho uma oração;
talvez um Deus mais clemente
escute
e perdoe
o ter-me perdido
Carlos Carpinteiro
Mondeville
02/11/05
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Lágrimas
terça-feira, 26 de maio de 2009
Areias dispersas
Areias dispersas
Eu não sou ladrão de sonhos
Sou pupila dos teus olhos
Esquece amor, a tua areia
Para ser duna em minha praia
Volta um dia a ser catraia
Sê o canto da sereia
Deixa-te levar pelo vento
Sob o meu olhar atento
Assim se aprende a voar
O tempo que já passou
Levou tudo, não levou
Direito de se apaixonar
Hesitas, é natural
Pois o branco é cor de cal
Vê como a neve é fria
No céu as cores são muitas
Arco-íris, quando elas juntas
Ao brilhar, que alegria
Detesto pregar em vão
Logo, dá-me a tua mão
Vamos percorrer o mundo
O tempo que já passou
Foi tempo, já o levou
Um Deus para o mar mais fundo
De mãos dadas a cantar
Corpos pregados, dançar
Pregados tal Cristo em cruz
Que eu seja o teu madeiro
O que ressuscitar primeiro
Leva o outro até a luz
Carlos Tronco
Mondeville
14/10/05
segunda-feira, 18 de maio de 2009
DEPOIS, OS JOELHOS CEDERAM
As pernas dobraram-se sob o peso de uma vida já longa. Mas que continuava. Seria o peso da experiência?
Acredito que a experiência evite a repetição dos mesmos erros.
Será que pode evitar o acontecimento de erros diferentes?
Não repetir os mesmos erros, talvez não evite o errar.
A experiencia, permite o melhoramento, isto é, permite fazer melhor que precedentemente?
Fazer melhor implica portanto fazer diferente
mesmo se, fazer diferente não impede fazer pior.
Como se aperfeiçoar com a experiencia então?
Só a experiencia própria é valida. A filosofia chinesa explica, que a experiencia, é uma lanterna que só ilumina o caminho daquele que caminhou.
Eliminando os erros sucessivos, podemos esperar um dia, sermos confrontados a um numero reduzido de possibilidades e então diminuirmos pela experiencia a probabilidade de errar. No entanto “o homem teme o que ignora” e prefere perpetuar o erro sabendo que esta errado, que confiar à incerteza a possibilidade de acertar um dia.
Por isso cega.
Por isso prefere a religião à razão. Por isso nega à consciência o que oferece à superstição.
Por isso continua desesperadamente humano.
Carlos Tronco
Mondeville
18/05/09
Acredito que a experiência evite a repetição dos mesmos erros.
Será que pode evitar o acontecimento de erros diferentes?
Não repetir os mesmos erros, talvez não evite o errar.
A experiencia, permite o melhoramento, isto é, permite fazer melhor que precedentemente?
Fazer melhor implica portanto fazer diferente
mesmo se, fazer diferente não impede fazer pior.
Como se aperfeiçoar com a experiencia então?
Só a experiencia própria é valida. A filosofia chinesa explica, que a experiencia, é uma lanterna que só ilumina o caminho daquele que caminhou.
Eliminando os erros sucessivos, podemos esperar um dia, sermos confrontados a um numero reduzido de possibilidades e então diminuirmos pela experiencia a probabilidade de errar. No entanto “o homem teme o que ignora” e prefere perpetuar o erro sabendo que esta errado, que confiar à incerteza a possibilidade de acertar um dia.
Por isso cega.
Por isso prefere a religião à razão. Por isso nega à consciência o que oferece à superstição.
Por isso continua desesperadamente humano.
Carlos Tronco
Mondeville
18/05/09
domingo, 17 de maio de 2009
O raio de luz
Beira-mar.
Quase praia.
Mas sem areia.
Rochedos
Muitos
E pontiagudos.
À flor das ondas
Neblina espessa
Para não dizer
Que pouco se enxerga.
Ondas,
Das mais bravias
E eu sonhando
Vejo-me
Tal um símbolo fálico
Antigo,
Um farol
Que pretende guiar,
Que tenta guiar
Os veleiros
Na tormenta,
As almas perdidas.
Sonho poder ser
Sustento de sonhos
Alento de madrugadas frias
Mas repletas de esperança.
Sonho
Poder guiar os passos
Orientar as velas
Soprar os ventos.
Sonho
Gritar baixinho
Murmurar, estou aqui
Segue a luz do meu espelho.
Sonho,
Mas é em ti meu amor
Que encontro rumo
Para os meus hesitantes passos.
Carlos Tronco
Mondeville
13/10/05
Quase praia.
Mas sem areia.
Rochedos
Muitos
E pontiagudos.
À flor das ondas
Neblina espessa
Para não dizer
Que pouco se enxerga.
Ondas,
Das mais bravias
E eu sonhando
Vejo-me
Tal um símbolo fálico
Antigo,
Um farol
Que pretende guiar,
Que tenta guiar
Os veleiros
Na tormenta,
As almas perdidas.
Sonho poder ser
Sustento de sonhos
Alento de madrugadas frias
Mas repletas de esperança.
Sonho
Poder guiar os passos
Orientar as velas
Soprar os ventos.
Sonho
Gritar baixinho
Murmurar, estou aqui
Segue a luz do meu espelho.
Sonho,
Mas é em ti meu amor
Que encontro rumo
Para os meus hesitantes passos.
Carlos Tronco
Mondeville
13/10/05
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Outono da vida
Se a noite foi longa
Mais longa foi a espera
Esperava confiante
Alguma primavera
Que a geada se fosse
Que enfim viesse o calor
E com o perfume das flores
Encontrasse o amor
Esperei
E o tempo
Pouco a pouco
Passou
Primavera não veio
Muito menos o verão
No outono passeio
Esperando em vão
Carlos Tronco
Mondeville
11/10/05
Mais longa foi a espera
Esperava confiante
Alguma primavera
Que a geada se fosse
Que enfim viesse o calor
E com o perfume das flores
Encontrasse o amor
Esperei
E o tempo
Pouco a pouco
Passou
Primavera não veio
Muito menos o verão
No outono passeio
Esperando em vão
Carlos Tronco
Mondeville
11/10/05
sábado, 9 de maio de 2009
Cegadas

Vedes
Aquele espantalho
Ali abandonado
No meio da ceara?
Entre as espigas maduras
De barbudo centeio
Entre as rubras papoilas
Irmãs do pão
Vedes aqueles braços descarnados
Que imploram os escuros céus?
E ouvis o pranto
O vento desesperado
Uivar como famintos lobos?
E os rebanhos?
Tresmalhados
Espantados pela cena
Que se precipitam
Do alto da falésia
Como um só ser?
Não
Não vedes
E ainda menos sentis
Que o espantalho são apenas
Dois paus cruzados
Vestidos de um casaco velho
Ornado de um chapéu furado
Talvez roubado
Derrubado desde a primeira tempestade
Não vedes que teima na posição erecta
E de pé
Apenas se expõe
A inclemência
Dos elementos
Para
Mais depressa
Desaparecer
Ser esquecido?
sexta-feira, 8 de maio de 2009
TERRA DE SANTOS

Os tambores nunca se calaram
Continua a bater amigo, e grita!
O teu sofrimento lá longe, discreto
Mesmo se os canhões já se acalmaram
De carne e osso, tu companheiro
Da escola, no mato, dos mesmos bancos
Perdeste as pernas, a esperança, é dinheiro
As minas vinham de países democráticos
Hoje festejas a independência
De quem? Tu o craque da bola
Viva presidente! Que indecência!
Querias levantar quando toca o hino; Peninha!
Não vale a pena tentar
Cospes nas mãos para fazer avançar a cadeirinha
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Duvido, mas procuro
Não é por não poder, que amar não quero
Não é por eu te amar, que perder me vou,
Além de tudo, a vontade é de ferro,
De tudo um dia dar, como um Deus, o dou
Deu olhos e a luz nos mostra o caminho,
A vontade faz o resto e aqui estou
Mas sempre avançar, mesmo se for sozinho,
Legume ou cordeiro, é que eu não sou.
Vinde pois; segui-me, se assim o desejais
A senda é escarpada, e até fere os pés,
Mas sede sem mais, do que simples animais
Livres, inventivos, sede enfim amantes
Partilhai o corpo, a alma e os bornais
Sereis então felizes, mais felizes do que antes
Não é por eu te amar, que perder me vou,
Além de tudo, a vontade é de ferro,
De tudo um dia dar, como um Deus, o dou
Deu olhos e a luz nos mostra o caminho,
A vontade faz o resto e aqui estou
Mas sempre avançar, mesmo se for sozinho,
Legume ou cordeiro, é que eu não sou.
Vinde pois; segui-me, se assim o desejais
A senda é escarpada, e até fere os pés,
Mas sede sem mais, do que simples animais
Livres, inventivos, sede enfim amantes
Partilhai o corpo, a alma e os bornais
Sereis então felizes, mais felizes do que antes
quarta-feira, 6 de maio de 2009
O caminho
Eis o caminho escolhido
E sigo apenas o rastro
Dos teus passos quando afasto
Do meu banco os passos meus
Deixo de ser uma pedra
Sem alma que nada quebra
Guiado por um olhar
No céu os astros são teus
Falavam os velhos antigos
De uma via que nos céus
Láctea; Hera a mulher de Zeus
Deixara então escapar
Da boca de um Hércules esfomeado
O seio que pendurado
Marcara o infinito
Com o traço do leite dito
Pois vejo agora sim
A via, será que persiste?
Mas na minha mente existe
E me guia ao seio teu
Carlos Tronco
Mondeville
08/09/05
E sigo apenas o rastro
Dos teus passos quando afasto
Do meu banco os passos meus
Deixo de ser uma pedra
Sem alma que nada quebra
Guiado por um olhar
No céu os astros são teus
Falavam os velhos antigos
De uma via que nos céus
Láctea; Hera a mulher de Zeus
Deixara então escapar
Da boca de um Hércules esfomeado
O seio que pendurado
Marcara o infinito
Com o traço do leite dito
Pois vejo agora sim
A via, será que persiste?
Mas na minha mente existe
E me guia ao seio teu
Carlos Tronco
Mondeville
08/09/05
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O fim está próximo
São cores
Que lembram as flores
Jardins perfumados
Enquanto os amores
Dizem serem dores
Longas caminhadas
São olhos
Que vêem aos molhos
Como é profundo
O fundo do mar
Que me há-de levar
Ao berço do mundo
São sons
Do fundo da alma
Que olho com calma
Lembrando penhores
E as águas
Deixam navegar
E até baloiçar
Em ondas as mágoas
Espero
Que vá germinar
Quando me deitar
Nos braços sereias
Assim
Talvez seja o fim
Mas é para mim
A fonte de ideias
Carlos Tronco
Mondeville
domingo, 3 de maio de 2009
Quando cai uma folha

Quando cai uma folha
Uma folha verde amadurece
E o verde vai-se tornando amarelo
Do outono é, talvez, o tom mais belo
A queda de uma folha que enternece
Uma folha que cai perdendo a vida
Nos braços do vento se deixa adormecer
Para as andorinhas, é o sinal, da partida
Mas não tarda outro dia a nascer
Caiem folhas e depois vai caindo
Branca neve quando chega o Natal
A criança, o Deus Menino, é o bem-vindo
Nascimento que traz com ele a esperança
De dias melhores, de uma doce primavera
Vede no horizonte, como a morta folha dança
Carlos Tronco
Mondeville
05/10/05
sábado, 2 de maio de 2009
Do mar conheço a sede
A cor do mar é salgada
como a lágrima do olhar
quando lembro a minha amada
e me deito a afogar
:
E me deito a afogar
Nas águas da tua fonte
que procuro acariciar
antes de beijar o "monte"
:
De Vénus hei-de escalar
pelo norte e pelo sul
para me deixar escorregar
até águas do azul
:
Azul dizem ser o mar
como são os olhos meus
para não veres, eu vou fechar
ao beijar os lábios teus
Carlos Tronco
Mondeville
29/09/05
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Ondas
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A queda
Caio a cada passo pois tropeço
nos braços de um vento duro e frio
caio tão bem que já conheço
cada palmo do inferno e até já rio
Cada vez que caio até chamusco
nas labaredas do demo a minha alma
e quando volto a pensar com alguma calma
sinto-me então triste e acabado!
Espero um dia tropeçar
de tal modo que ao cair não toque o chão
e seja o dia em que aprenda a voar
Asas não tenho e até suspeito
apenas me resta o poder sonhar
que o coração não me arranquem deste peito
Carlos Tronco
Mondeville
3/09/05
nos braços de um vento duro e frio
caio tão bem que já conheço
cada palmo do inferno e até já rio
Cada vez que caio até chamusco
nas labaredas do demo a minha alma
e quando volto a pensar com alguma calma
sinto-me então triste e acabado!
Espero um dia tropeçar
de tal modo que ao cair não toque o chão
e seja o dia em que aprenda a voar
Asas não tenho e até suspeito
apenas me resta o poder sonhar
que o coração não me arranquem deste peito
Carlos Tronco
Mondeville
3/09/05
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Fui falar de ti
Caule, vertical
Crescendo, divertido
Sonho vegetal
De braço estendido
Multidão em floresta
Que respira em verdes folhas
Agua feita chuva, divina, tu que molhas
À árvore das de beber, cais e é sempre festa
Caule feito tronco
Que é mais forte cada dia
E de raízes profundas, da terra, vou ao encontro
Fui terra, barro amassado
A terra hei-de voltar
Talvez sejam saudades, saudades do meu passado
Carlos Tronco
Fui falar de ti as árvores
Mondeville
20/09/05
domingo, 26 de abril de 2009
Acontece
Sentado no colo, deitado no peito
Semeando vento, mais que tempestade
Um peito, um abrigo, fonte de amizade
Encosto feliz, a face, ao meio
Em fonte de carinho, água é a ternura
Procuro encontrar, uma razão à vida
De que cada etapa, é uma despedida
Hoje uma ilusão, ontem lua escura
Amanhã novo dia, volta o sol, sobre o mar
Com o sol, volta a esperança e a vida continua
E a maré é a vida, que recua para avançar
Encosto a minha cara, escuto minha querida
No peito, o coração bate sem parar
No cabelo dedos de mão; a doce mão... Da vida
Carlos Tronco
Lisboa
4/08/05
sábado, 25 de abril de 2009
Seja Abril a cada instante
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Sementeira
Caminho e andando, semeando duvidas
Perguntando a mim mesmo o que é amar
Questões sem resposta, verdades viúvas
Mas vou caminhando, querendo avançar
Conheci outrora, linda rapariga
De olhar tão meigo; escrevia bem
Lembrança que guardo, como uma figa
Passaram os anos e foi-se também
Casei e com filhos, caminho já feito
Julguei nesta vida, ter enfim chegado
Mas o coração, batia no peito
Um quase velhinho, de barbas já brancas
Continuo andando, será que floriu
Cada flor selvagem, que o tempo pariu?
Perguntando a mim mesmo o que é amar
Questões sem resposta, verdades viúvas
Mas vou caminhando, querendo avançar
Conheci outrora, linda rapariga
De olhar tão meigo; escrevia bem
Lembrança que guardo, como uma figa
Passaram os anos e foi-se também
Casei e com filhos, caminho já feito
Julguei nesta vida, ter enfim chegado
Mas o coração, batia no peito
Um quase velhinho, de barbas já brancas
Continuo andando, será que floriu
Cada flor selvagem, que o tempo pariu?
quinta-feira, 23 de abril de 2009
O OLHAR
O Olhar,
vai-se perdendo
no vácuo do distante,
ao longo dos anos
por vezes,
só ás vezes,
se encontra
em outros olhos perdidos,
e sorri
As mãos não acariciam
nem só ventos,
nem só sonhos
por vezes acariciam peitos,
mas também almas.
vai-se perdendo
no vácuo do distante,
ao longo dos anos
por vezes,
só ás vezes,
se encontra
em outros olhos perdidos,
e sorri
As mãos não acariciam
nem só ventos,
nem só sonhos
por vezes acariciam peitos,
mas também almas.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
SABER
Não sei que esperanças ter
Não sei dizer
Qual rumo é o melhor
Não sei mostrar
Só sei que sigo o fado
A pensar
Talvez seja seguir-te, o meu destino
Não sei há quanto tempo
Sigo a lua
Depois, noite perdida sigo também
O sol, como se fosse a sombra tua
Sem brilho
Pois tu és a luz, meu bem
Só sei, quando em mar alto,
Ando perdido
Que o abraço mortal, das ondas,
Já desejo
Sempre me foi possível fugir do perigo
E encontrar a calma, a vida
No teu beijo.
Carlos Tronco
Mondeville
18/09/05
domingo, 19 de abril de 2009
Noites escuras de tão negras
A distância já é castigo
quisera dormir contigo
sabes bem, não pode ser
passam dias, passam noites
silêncios são como açoites
mas ajudam a viver
Alta noite lembro, querida
esse episódio da vida
em que dei o primeiro beijo
as saudades são ajudas
quando as tristezas mudas
cobrem por todo o desejo
Bem sabes, estou contigo
como em sonho, como um perigo
estou ali a espreitar
feito fumo de uma vela
só te falta acende-la
para me poder amar.
Carlos Tronco
Mondeville
17/09/05
sábado, 18 de abril de 2009
Traição
Traição
Quantas vezes me traíste?
Tantas ou mais que eu?
Há jogos assim.
Em que perdemos os dois.
Perdemos primeiro a liberdade,
Porque nos entregamos.
Perdemos em seguida a dignidade,
Porque nos enganamos.
Perdemos enfim a alma,
Porque nos traímos a nós mesmos.
Traímos os nossos sonhos,
Traímos a nossas promessas,
Traímos os nossos ideais.
Sabes, o mais engraçado,
E poder trair e continuar a amar.
Engraçado porque esse amor é impossível
O hipotético perdão, não passa de uma ilusão.
Uma miragem no deserto de nós.
Trair é o passo último
No suicídio da nossa consciência.
O amor que resta tem o sabor
Amargo do vomito, ou pior
O sabor letal da vingança.
Em realidade, nunca saberei se me traíste,
Ou se preferi pensar que o fizeste.
De qualquer modo, pensar, foi
A minha forma de te trair.
Não houve penitência…
Muito menos purgatório.
Assim aprendi, que o inferno
Nesta vida, se chama solidão.
Longe dos teus versos,
Ainda mais que dos teus olhos,
Apenas te desejo que sejas muito feliz.
Adeus
Carlos Tronco
Mondeville
18/04/09
META

Sabine 8 anos
META
Os anos passam
Sente-se a metamorfose
Velhos desejos voltam
A flor da pele
Sonhos estranhos
Com sabor a doce mel
Ser eu fadista
Não saudosista
Mas sempre fiel
Fiel a um ideal de vida
E com palavras
Ideias, sonhos, partilhar
Palavras simples das que saem da barriga, paridas
Muito nossas como se do próprio filho se tratasse
E tão expressivas como o brilho do olhar
Houve outros, houve muitos
Sonhadores
No oriente, na Grécia antiga
E até Cristo
Mas todos vamos esquecendo com o tempo
Por vezes olhamos suas ideias como um perigo
De morte
Oh medo, que tão grande medo tens
Nosso ultimo destino...
Logo, enquanto a morte não vem
Vivamos os nossos sonhos, com carinho
Carlos Tronco
Mondeville
14/09/05
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Fui

Que te dizer, senão que a distância queima a esperança, como o sol queima a seara?
Vimos o verde trigo ondular em verdes campos e, com o ondular da brisa crescer a vontade.
O trigo faria rodopiar a mó do moinho. A mó faria girar as velas tão brancas e as velas?
As velas acatariam os ventos de outras paragens.
Como sabes, são a loucura dos ventos que transportam o sopro dos meus beijos.
Disseram-nos, que o verde trigo antes de ser cegado, havia de amadurecer.
Então esperamos. E as tempestades foram muitas. E o trigo foi-se dobrando a uma vontade superior.
Esta regia o mau tempo. O trigo não amadureceu. Mas os cabelos foram-se tornando brancos.
Quem disse que os velhos não amavam? Amam. Mesmo em silêncio. Mesmo quando a dor sufoca a voz
E as palavras engolem a garganta. Talvez cada dia perca um pouco mais o juízo.
E já não saiba pedir que a tua mão me proteja de mim.
Continuarei no entanto, como dizia o poeta, a amar-te baixinho, para que o teu Deus não nos castigue.
Ele que inventou a distância, detesta o amor, que cria a proximidade.
Carlos Tronco
Mondeville
17/04/09
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Emociones y vida
Emociones y vida
Quisiera
Quisiera morir ahora mismo
Si quizá un día
Quedase insensible
A la vida
A la danza de las nubes
O a la caricia de los vientos
Quisiera
Quisiera morir ahora mismo
Si quizá un día
Ya no llorase
Cuando tocan las guitarras
Cuando cantan las chicas
Historias simples de amor
Quisiera
Quisiera morir ahora mismo
Si ya no emocionase
El sonreír de una cría
El brillo de las estrellas
O él salgado
Del agua de las mares
Todavía
El destino quiso que no
Continuo llorando
Cuando grita de placer una mujer
Y vuelve de las profundizas de la noche
Un nuevo sol
Que un dios
Me dé fuerza
Para negar hasta la muerte
La sombra de las banderas
Tal como la tranquilidad de los genérales
Para que mi alma vuele
Cada día
En cuanto pueda
Escuchar las golondrinas
Carlos Tronco
Mondeville
10/09/05
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Velas rotas queimam a esperança

Além, após o mar,
Adormecem as ondas
Para que despertem os meus sonhos.
Tu, que esperas, no novo dia,
Enfim a alvorada,
Ofereces a tua nuca à minha loucura.
O oceano rebela-se ;
As ondas fustigam os penedos,
Mas na planície, já o trigo ondula
E a música acorda.
Primeiro é preciso acreditar.
Depois, o amor acontece.
Além, após o mar,
Descem as velas do mastro
Para se erguerem os punhos da esperança.
Como me reconheceras?
Não!
Não levarei comigo a bandeira de uma Pátria
Que não soube alimentar os seus filhos.
Nem crucifixo "genocidário".
O meu cravo vermelho
Esta tatuado no interior do peito
E apenas, nos calos da minha mão estendida
Poderás ler a sina
Do nosso eterno amor.
Carlos Tronco
Caen
15/04/09
Fumos
terça-feira, 14 de abril de 2009
Quando funde a neve, perde o branco a cor
Quando funde a neve perde o branco a cor
Chegou a primavera, branco decomposto
Em mil cores exposto, cada uma é
Promessa de vida, esperança de amor
Há que recolher-la seja aonde for
Quando funde a neve perde o branco a cor
Para transformar frieza invernal
Em jardim florido, cheiro a alecrim
Cada rosa tem, seu charme para mim
Perfume suave, desperta os sentidos
Quando funde a neve perde o branco a cor
Basta, o tempo passa, a distância dura
E não acredito, natureza pura
Seja pois bendito, cada tom de novo
Só existe rei, onde haja povo
Cego pela luz, de olhos queimados
Ninguém é feliz, de joelhos magoados
Poesia "naïve"
Mondeville
06/04/05
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Castelos de areia
A areia escorre livre entre os dedos secos
Como o pobre mar, retirando-se sem nobreza
Sabemos que com o tempo volta de certeza
E que, o que a orelha escuta em búzios, são só ecos
Das almas perdidas em alto mar
Ou em terra firme e levadas pelos rios
Almas de seres que depois de frios
Lembramos apenas pelo voo das folhas pelo ar
As crianças brincam na praia fazem castelos
Alheias ao drama da vida e felizes
Quando adultos, recordamos esses tempos belos
Recordamos a areia em que brincávamos
Também os sonhos de quando éramos petizes
E sonhando, transportar para o alto mar nos deixamos...
Carlos Tronco
Praia de Houlgate-Normandia-França
30-08-05
quinta-feira, 9 de abril de 2009
A Liberdade
Em uma capela, ao alto, vendo a foz do Sena
E a água correr, molhada, de tanto labutar
Deitar-se cansada, deitar-se a afogar
O feroz Atlântico, impávido mete medo
Entrei na capela, sombria, onde havia
Velhos traços de fé, também de piedade
Alguém acreditara na "verdade"
Confiando, em um "Ser", que ali vivia
Com algumas moedas, comprei luz
Pensando a minha alma sombria, aclarar
Com a chama pequenina que produz
A vela de cera, que acendi
Com a esperança de um futuro salutar
Ardeu, e com ela algo perdi.
Carlos Tronco
Notre Dame de la Grâce
Honfleur-France
E a água correr, molhada, de tanto labutar
Deitar-se cansada, deitar-se a afogar
O feroz Atlântico, impávido mete medo
Entrei na capela, sombria, onde havia
Velhos traços de fé, também de piedade
Alguém acreditara na "verdade"
Confiando, em um "Ser", que ali vivia
Com algumas moedas, comprei luz
Pensando a minha alma sombria, aclarar
Com a chama pequenina que produz
A vela de cera, que acendi
Com a esperança de um futuro salutar
Ardeu, e com ela algo perdi.
Carlos Tronco
Notre Dame de la Grâce
Honfleur-France
terça-feira, 7 de abril de 2009
AS DUAS FACES DO VENTO
Perdido na vida, pontapés ao vento quero dar
Perdido em sonhos, perdida a alma e o olhar
Será que o vento, então magoado, depois consinta
Em levar consigo, levar bem longe, levar o pranto
Secar as lágrimas, esticar as velas, trazer encanto
Talvez guiar, guiar a mão, com que se pinta
Com letras, depois palavras, fazem-se quadros
Cenas bucólicas, trigos deitados, em verdes prados
A esperança, faz-nos viver, dia após dia
Vamos andando, barriga cheia, até de medos
Medos do mundo, medo de Deus e dos segredos
A madrugada, seja onde for, é sempre fria
Depois...
O sol devagarinho, vai chegando e com ele a vida
Espreguiçando, esticando os braços, conseguida
A força para nova aventura, afrontar
Sorriso nos lábios, cabelo ao vento, alma ligeira
As mãos nos bolsos, língua na boca e por cegueira
Juntar palavras, cumprir a sina, à assobiar.
Carlos Tronco
Mondeville
06/09/05
Perdido em sonhos, perdida a alma e o olhar
Será que o vento, então magoado, depois consinta
Em levar consigo, levar bem longe, levar o pranto
Secar as lágrimas, esticar as velas, trazer encanto
Talvez guiar, guiar a mão, com que se pinta
Com letras, depois palavras, fazem-se quadros
Cenas bucólicas, trigos deitados, em verdes prados
A esperança, faz-nos viver, dia após dia
Vamos andando, barriga cheia, até de medos
Medos do mundo, medo de Deus e dos segredos
A madrugada, seja onde for, é sempre fria
Depois...
O sol devagarinho, vai chegando e com ele a vida
Espreguiçando, esticando os braços, conseguida
A força para nova aventura, afrontar
Sorriso nos lábios, cabelo ao vento, alma ligeira
As mãos nos bolsos, língua na boca e por cegueira
Juntar palavras, cumprir a sina, à assobiar.
Carlos Tronco
Mondeville
06/09/05
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pastor de penedos 3

8, rua da Fonte Tinhela concelho de Valpaços Prortugal...
Depois, o tempo foi passando.
Continuava-se a acumular toneladas de ouro…
Era assim, a vida de pastor…
1954
O granito por companhia e a solidão por companheira.
A missa do domingo, o único espectáculo da semana.
Por vezes, lá vem um ou outro lobo trocar umas palavras.
Ou roubar um cordeiro
é consoante
No primeiro domingo de Setembro
a festa em Valpaços
O fogo-de-artifício como única promessa de felicidade
vinda dos céus
A jeira não dava para comer
Cegadas, só uma vez por ano
Um dia o "Pátria" lá me levou para o Ultramar
em Trás-os-montes
os saltões eram verdes
mesmo assim recusei
o primeiro prato de camarões
na camioneta que me levou para as matas de café
ia também
a esperança
Só regressei à aldeia
a finais de 75.
o céu continuava insípido
depois de 3 dias imigrei para França
até hoje
dia em que duas palavras resumem uma vida inteira.
Ao Fernando Tronco que anda estes dias pelos 80...
domingo, 5 de abril de 2009
Pastor de penedos 2

São quase seis da manhã
Ainda se vê a estrela do pastor
Tenho sete anos
O pai morreu no princípio do inverno
Pneumonia
Dizem que já havia medicamentos
Mas, como poderia
Ter pago o médico
E a farmácia
Sem tirar o pão da boca
Dos meus cinco irmãos mais novos?
O mais velho, o falecido Júlio, que tinha
Dois anos mais do que eu
Ficou com o rebanho
Andava pelo monte
Entre penedos e lobos
A noite inteira
Agora ia-lhe levar, à Cotovia
Uma côdea de centeio
Uma "mão-cheia" de figos
E uma pinga
Enquanto o Júlio dormia
Era eu que cuidava do gado
Já não ia à escola
Se fosse, chegaria atrasado
Assim, tirei apenas a terceira classe
Depois...
O Senhor Padre Cura bem queria
Que fosse para Alcobaça
Dizia que não teria
Qualquer dificuldade mais tarde
Para entrar no seminário
Mas,
Com o Júlio atrás das ovelhas
E a mãe com cinco crianças ao colo
Quem iria sachar as batatas
Amanhar a vinha
E cegar o pão?
A noitinha,
Depois de tocar as vacas do lameiro,
Passarei pela capela
Do Senhor dos Aflitos.
Pedirei apenas que arranje algum fardo
Para levar até Feces de Abajo
Dizem que a Guardia Civil
Atira sem prevenir
No entanto,
Sempre será melhor
Morrer no contrabando
Que morrer de fome.
Tinhela
Concelho de Valpaços
1936.
sábado, 4 de abril de 2009
Pastor de penedos 1

Foto de Georges Dussaud in "Tras-os-montes"
O gado já não saia ao monte há três dias.
Ovelhas e cães rafeiros juntavam-se em um só ganido.
Era o reino da fome.
A febre tinha aumentado e
o chá de ervas da tia Adília, apenas tinha molhado a garganta e feito permanecer a esperança.
Tossindo e espirrando, naquela manhã de domingo apenas eu tinha ficado à lareira. Missas haveria outras...
O escano de castanho como trono da miséria.
Ardia um madeiro de carvalho.
Na semi-penumbra da casa de lavradores, economisava-se o azeite da candeia.
Com o calor da lareira, a dura madeira do escano, luzidia de tanto uso, tornava-se confortável.
Do alto pendiam, alheiras, salpicões, linguiças buchos e presuntos tal como pendia outrora da macieira o fruto do pecado.
Tinha sim engolido à pressa um cibo de broa, três figos da Terra Quente, e um trago de bagaço.
O olor do fumeiro turturava-me as entranhas.
Tinha dito a mãe que ali não se tocava, o salpicão de Valpaços era já conhecido em todo o país.
Havia de comprar as batatas para a sementeira, duas sacas de trigo, enxofre para as vinhas…
-Será que os haviam contado?
…na alegria das matanças, enchia-se a tripa até mais não dar
naquele tempo, pouco se ia a escola
talvez nem soubesse contar…
…é que, quando vinha carta de Macau do tio Alberto, pedia sempre para eu ler
devagarzinho, soletrando cada palavra,
palavras de um longe desconhecido, só conhecidas de quem fugia a terra.
-Talvez nem tivesse contado !
…vencido pela febre, o desejo quase carnal, peguei na vara mais comprida ali à mão e levei à lareira.
A ponta rubra da vara era então brilhante como a estrela cintilante de uma varinha de condão :
pela primeira vez da minha vida, senti na minha mão o poder do fogo, um igual de Hephaistos!
Era tempo de assar à pressa.
...é que o senhor padre não se atardava com sermões de aldeia...
Carlos Tronco
Caen inverno 07
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A ver...
A ver vamos...
Não olhes nos meus olhos
que te cegas
não olhes pois veras
o meu olhar
não vejas nos meus olhos
quanto negas
quando aceitas
dos meus braços
o baixar
Não olhes nos meus olhos
que te cegas
não olhes pois veras
o meu olhar
não vejas nos meus olhos
quanto negas
quando aceitas
dos meus braços
o baixar
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