terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ardeu a esperança





Ardeu a esperança

A viola maltratada
Pelos dedos violada
Perdeu-se pela cidade
Tomou por amante o fado
Sem qualquer outro cuidado
Passou a chorar saudade

Não sei bem se recordava
A música ou a palavra
Se o seu amor, derradeiro
Acompanhou os fadistas
De alma e os bairristas
Em um fado sorrateiro

Nas vielas da Alfama
Com o tempo ganhou fama
Diziam já nas esquinas
Instrumento do demónio
Desvirtua o matrimónio
E dá asas as meninas

A viola de madeira
Fora sempre a mais solteira
Pregaram-lhe um dia fogo
E o negro da solidão
Invadiu a multidão
Perdeu-se a alma do povo.

CT
Mondeville
23/11/08

1 comentário:

poematar disse...

Um novo ano pleno de saúde e alegria.